EDITORIAL
Sérgio Siqueira & Lula Afonso
Tudo começou
como uma brincadeira e foi crescendo, crescendo e inspirando evocações e narrativas
de uma década vertiginosa na Bahia. As
fagulhas provocadoras saltaram das postagens na página “Anos Setenta Bahia”, que
criamos no Facebook movidos pelo desabafo do escritor, jornalista e acadêmico
Florisvaldo Matos, para quem “falta vertigem na cultura baiana.”
E vertigem é o que não falta neste
espaço de compartilhamento que despertou os protagonistas dos anos loucos. Eles
ressurgem e resgatam histórias e imagens da década que levou ao extremo a irrupção da contracultura iniciada nos anos 60. A década que se seguiu foi marcada por manifestações
cuja autenticidade e vigor anárquico e criativo carimbaram a Bahia como fonte, raiz
e coração das expressões multiculturais que espocaram no país em pleno auge da
repressão.
As centelhas da página Anos Setenta Bahia
reacenderam, sim, brasas adormecidas que se alastraram por meio de postagens sobre
a década iluminada por uma constelação de performáticos, tresloucados,
outsiders, artistas da cabeça, do ritmo e do corpo, profetas do caos, estudantes
e intelectuais, rebeldes, músicos, carnavalescos, místicos, hippies,
mochileiros, cosmopolitas e tantas outras figuras geniais que habitaram os anos
70.
Ante a
calorosa repercussão das postagens na página Anos Setenta Bahia, veio por
gravidade a ideia de escrever um livro on-line, episódio a episódio, com
participação ativa dos colaboradores e seguidores da página, alçados a
co-autores, tendo como âncoras os relatos e imagens colhidos em livros, mídia,
depoimentos pessoais e postagens que têm fluído em enxurrada.
Embarcamos nessa
para contar as histórias por demais conhecidas e, principalmente, as que ainda
não foram contadas, de um tempo em a Bahia era a “terra prometida” no
imaginário hedonista e cultural do planeta. Fazemos isso por prazer e não para
ganhar dinheiro, embora tenhamos que correr atrás da grana para produzir e
lançar os produtos finais: e-book, livro e outros que apareçam no caminho.
A partir desta
sexta, um 13 de maio da sorte, postaremos um episódio em intervalos curtos de
tempo (de um dia a mais, conforme o giro do episódio na página), colhendo
on-line comentários e imagens que serão incorporados aos capítulos temáticos do
texto final, com identificação de autorias.
A ideia,
enfim, é lançar o livro Anos Setenta Bahia com uma festa de arromba na linha dos
anos 70, reencontrando os amigos dessa aventura, num espaço da época, tipo Instituto
Goethe (ICBA), teatro Vila Velha ou mesmo as areias do Porto do Barra, sob as
luzes do pôr-do-sol.
Obs.: Agradecemos a todos que
queiram colaborar com histórias e imagens, aos quais daremos os créditos dentro
da ideia de um livro feito a muitas mãos.

profJB29 de maio de 2016 02:07
ResponderExcluir...Não há como não lembrar o que diz a 'cantigantiga' dos NB: "...Não!... Não é uma estrada!...É uma viagem-e-e-eemmm... Que...Que não tem sul nem norte,nem passagem..."...
Havia uma 'linha imaginária' que ligava todo mundo,aos verdadeiros e inesquecíveis 'episódios' dessa incrível história/estória,aos seus inúmeros e sequenciados 'cenários',além do que acontecia - e acontecia muita coisa ótima,nessa hora tão contrastiva,onde 'a repressão' e a 'censura' lutavam contra a imensidão de atividades culturais e artísticas,literárias,poéticas,de Cinema,de Dança,Teatro,Música e ... Miríades de atividades,além dos carnavais e os antológicos 'shows',espetáculos os mais diversificados - sem grandes incentivos governamentais,diga-se...-explodindo pela cidade e seus bêcos,boates,praias e happenings e sei lá mais o que,cheios de gentes e mais gente,e ' chame gente!...',apesar do lado pesado da presença dificílima da 'gloriosa' e seus funestos agentes e cagoêtes e 'dedos duros'. Vivia-e uma explosão sem contenção possível ou praticável,dada a massa imensa que a tudo ocupava e dava a sua 'assinatura de presença',não importando a persiga daquele " delegado que não gostava de 'rípe'..." ou o que fosse em tentativa de reprimir essa verdadeira 'onda'... Lembro-me de certo espetáculo ( estava atuando,era produtor e faz-tudo' ao lado de João Augusto,e a 'censora' lhe pedindo,acreditem,: '...pô,Jão... Não posso sair daquí sem cortar um pouquinho...',pois 'curtia' o trabalho desenvolvido no Villa capitaneado por êle,que não temia ser prêso ou algo semelhante,pois já respondera a inúmeros 'perguntados'.Havia uma cena de nudez,uma passagem,uma travessia no palco,em hora de troca de música,coisa rápida. Fiz a cena,e... 'Me piquei Pra Arembépe',até João mandar um aviso e a vida seguir o seu curso,à moda daquele tempos tão mestiços,de aridez e loucura,de morte e prisões,de um triste lado,com Vida intensa e a Arte,gentes e gentes,do outro,todos fazendo história Viva e vivida,sem ter mêdo por garantias. Sou e serei 'Fã-camisa-12',do grande Florisvaldo Mattos,mas,creio que haverá essa hora própria,dessa 'contação' de todas as loucuras,dess'hora única,tenho certêza!... Esse trabalho/espaço de vocês,já dispara tal 'gatilho'. Não?!... Abraços bem 'rajnish',tão à moda,à época,bom e interminável,para vocês.
Post Scriptum-2: Seria interessante haver uma espécie de 'Ficha Editorial',ou 'Editores & Colaboradores,Fotógrafos...',para que soubéssemos a respeito de quem esteja à boa proa dessa 'navilôka' tão interessante e ,sim,propiciadora de coisas sobre a nossa amadíssima Bahia e desse 'outro lado' que 'os carêtas' nem viram/viveram de perto e que foi tão especialmente bom.Como diria o querido e saudoso Mário Gusmão, em sua flêugmaprópria e empertigada de certas horas,"...pensar nem dói!..."...
ResponderExcluirGUIDO LIMA - Estive presente de corpo e alma nesse movimento que teve inicio no final dos anos 60 e começo dos anos 70. Acredito que momentos assim só acontecem quanto diversas forças do mal atuam. Nos EUA tinha a guerra do Vietenã, guerra fria, ditaduras militares em quase toda America Latina e os costumes, arquitetura, moda, música, culinária e tudo mais estavam envelhecidas o bastante para continuar, para isso era preciso mudar. A liberdade era fundamental naquele momento e nós fomos a mudança e a passagem para essa nova era. Trouxemos para o mundo atual a liberdade para tudo, mudamos o mundo com nossas atitudes e com muita beleza estetica, passamos a ouvir novas músicas, a nos vestir com mais cores, a comer melhor e descobrir os segredos do oriente. Quem sabe daqui a cem anos os jovens queiram mudar tudo novamente.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGostei muito dos artigos e imagens reunidas no blog. Minhas congratulações à dupla de autores e organizadores. Abraço desde a esquecida e sucateada periferia da galáxia.
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