terça-feira, 21 de junho de 2016

ROTEIROS E EMBALOS 70

Marilia Jatobá no ateliê de Ney Galvão. Foto de Eva Cristina Freitas.

Anos 70 Bahia – Episódio 21

É difícil trazer à memória os lugares aonde todo mundo ia nos anos 70, tantas e tão incríveis que eram as opções. Para quem se jogava nas "quebradas", na Bahia se encontrava um mundo fervilhante de arte, curtição e points de indescritível originalidade, para dizer o menos. Com a passagem do tempo, alguns deles se tornaram emblemáticos como o Porto da Barra, Praia dos Artistas, Pituaçu, Concha Acústica, Berro d’Água, Brasa, Teatro Vila Velha, Faleiro, Varandá, Grão de Arroz, ICBA, Itapuã, Arembepe, Berlinque, estúdio Lambe Lambe e tantos outros, sem contar as fervidas festas de largo que iam de dezembro ao carnaval, celebração máxima de todas as tribos.

Bahia, o coração multicultural do país na década. Todo mundo queria vir para cá e os motivos sobravam. O típico roteiro 70 podia começar com o banho de mar de obrigação no Porto, seguido de uma esticada até a praia dos Artistas. Depois, tirar o sal nas águas límpidas (na época) da lagoa de Pituaçu, almoçar no Divelo e calibrar o corpo e a alma para uma noitada no Berro d’Água, um show na Concha Acústica ou no Vila Velha. Dava tempo para engatar dois shows, quando rolava o concorrido espetáculo da meia-noite, no Vila. Nos anos 70 a noite era sempre criança e varava a madrugada. Ninguém tinha medo de sair de casa e circular a pé.

Nas festas de largo, as barracas expunham maravilhosas representações da arte popular, tradição extinta por uma asinina "padronização" imposta pela prefeitura de Salvador. Foto Adenor Gondim

SUELI ROCHA LIMA CANATO – Saíamos num dia, voltávamos no outro... depois de uma soneca na praia da Boca do Rio.

REGINA SOARES – E nos fins de semana emendávamos com a ilha de Itaparica – Ponta de Areia, Amoreiras... Felizmente vivemos esse tempo!

RENATO DANTAS – Era muito massa... dormíamos com portas e janelas abertas no Alto do São Francisco, Boca do Rio.

FATIMA BARRETTO – E podíamos amar e dormir nas praias banhadas pela luz das estrelas e da lua, sem problemas! Nem a AIDS nos assombrava, já que ainda nem se falava disso!

JOSE JESUS BARRETO – Sim, podíamos andar pela cidade à noite, dormir na areia do Abaeté, nos barcos ancorados na praia da Ribeira, nas dunas da Boca do Rio, nos bancos da praça da Barroquinha à espera do primeiro buzu ao raiar do dia, pra voltar pra casa... outros tempos, outros costumes, sem tantos medos...

Em algum lugar dos anos 70 em Salvador: Bel Borba, Murilo Ribeiro, Maazo Heck, Neto, Zivé Giudice, Guache Marques, Theones e Florival Oliveira. Foto de Antônio Neto

PRABHU EDMILSON – Veio-me a lembrança de uma antiga baiana que vendia suas comidas de madrugada ali na praça Castro Alves. Só os mais antigos se lembram disso. O barato mesmo era sair do "63" (o Meia Três, como era chamado o mais famoso cabaré da Bahia), na Ladeira da Montanha, e ir comer uma feijoada na praça Castro Alves, no tabuleiro dessa baiana. Me ajude aí na memória, pessoal.

GESSY GESSE – As noites de sábado (hein, Nilda Spencer?) e as madrugadas no Mercado das 7 Portas, onde por toda parte havia feirantes empurrando carrinhos transbordantes de alface e temperos verdes, colhidos poucas horas antes... dentro do mercado encontrávamos Jeovah de Carvalho, tão poeta, tão boêmio que a gente esquecia de ser ele um grande advogado, um dos bons da Bahia. Juntava-se as mesas, ali se encontrava de tudo, papo para todos os gostos e muita poesia, muita comida e a pimenta mais ardida. E com o dia já claro, nos dávamos ao luxo de sair do mercado para casa abraçando molhos de temperos tenros e verdinhos, felizes da vida. (“Minha vida com o poeta”, pg. 69).

PAULO ANDRADE – Domingo à tarde no Farol, Anjo Azul, Barravento, Praia da Onda e Sesc, Morro Ipiranga...

ARTUR CARMEL – Pá da Baleia, Bual’Amour... Concha Acústica...

FATIMA BARRETTO – Boca do Rio, cine Bahia, cine Popular, cine Capri, quadra da Graça, Alto de Ondina, Amaralina, Pituba, Placa Ford, cine Roma, Sorvete da Ribeira, trem da Leste...

TEREZA OLIVEIRA – Banda do Companheiro Mágico. Esse nome não podia ser melhor!! Belo trabalho.

Oscar e família na lagoa de Pituaçu. Foto Sergio Maciel

FERNANDO NOY – Guigui, no Solar do Unhão, onde íamos muito com Teresa Sá e depois virou sede da Fundação Cultural do Estado, na gestão Valentin Calderon... e o começo de Geraldo Machado, tão guapérrimo e glamoroso... depois mudamos para a Biblioteca Central dos Barris... ali estavam, então, Nilson Mendes, Zilá Azevedo e o amadérrimo Vander Prata etc. etc.

LULA AFONSO – O ateliê do estilista Di Carlo, no Relógio de São Pedro... magérrimo, delicadíssimo, tipo Carlos Bastos embalado em pele morena. Se ele costurasse em Roma, New York ou Paris, teria virado top da moda.

Solar do Unhão: lançamento da expo fotográfica "Por prazer", de Sérgio Siqueira

SÉRGIO SIQUEIRA – Na segunda praia de Morro de São Paulo, que era deserta, comíamos lagostas cozinhadas em fogueira ali mesmo na areia, em latas de querosene... o sal era o da água do mar.

GESSY GESSE – O xinxim de bofe da tia Joana, no Terreiro de Jesus, servido nas madrugadas em pratos de alumínio amassado, onde comiam com muito gosto artistas, jornalistas, putas, intelectuais, todos na maior harmonia, desfrutando o prazer de um tempero especial e companhias insólitas... E havia ainda a feijoada da Alice, na parte baixa do Elevador Lacerda. Ela namorava um açougueiro chamado Momó, que morria de ciúmes da nega dele. Ele serrava o osso e cortava a carne com um olho no trabalho e o outro em quem encostava no tabuleiro de Alice... (“Minha vida com o poeta”, pg. 69).

Electra 72  Teatro Castro Alves

PAULO ANDRADE – Green House, Itapuã no veraneio, faixas de hippie na calça Lee e sandálias de couro e sola de pneu que vendiam na Barroquinha...

LETICIA MUHANA – Kirimurê, Rua M em Itapuã, Barra do Gil, Santo Amaro, Morro do Gato, Sala do Coro do TCA, Colégio de Aplicação, Central, Praça da Sé, Guarani, Liceu, TV Aratu.

ARTUR CARMEL – Boate Barroco, Gincana da Primavera.

RITA ASSEMANY – Escadaria do TCA.

ELÍSIO ANDRADE – Anjo Azul, Tarrafa, Papo de Bruxa, Bar do Barão, Close-Up, 63.

TEREZA OLIVEIRA – Colégio de Aplicação, Oficina Nacional de Dança.


GLAUVÂNIA – Quem não lanchou na Cubana, em cima do elevador Lacerda e na Roses, no início da Carlos Gomes? E por falar em Carlos Gomes, quem não comeu as esfhias do Good Day e do Teng Teng, ali em frente ao Brazeiro? Tomou cerveja mini e paquerou na Moenda, cheia de turistas? Comia no chinês Tong Fong, em frente ao Fórum; todas as sextas e sábados o programa era ir para o Barravento… (http://bahiaempauta.com.br/?p=24373)

LÍGIA AGUIAR – As festas de largo, Rua L e M em Itapuã, bar de Vinicius e Gessy Gesse, bar do Galo...

LULA AFONSO – Nas sextas à noite a pedida era assistir filme de arte no cine Rio Vermelho. Depois da sessão, todo mundo corria pro o Barril Vermelho para, em clima de festa de largo soft, conversar sobre cultura e política, azarar a moçada bonita e engatar o embalo seguinte na night. Ficava na área externa do belo casarão na margem do rio  na outra ponta ficava o tradicional (e recém-extinto) Mercado do Peixe. Depois de longo tempo fechado, o Barril reabriu com outro nome (operado pelo saudoso Tinoco), fechou e virou loja de som automotivo, fechou de novo e reabriu como bar de eventos musicais; não aguentou a parada nas obras recentes no bairro e o espaço está de novo fechado. O cinema, em linha com a evolução cultural que transformou em churrascaria o teatro Maria Betânia, virou templo evangélico (o pastor estaciona seus carrões na entrada dos fundos do Boteco do França, antes de serem armadas as mesas). Quem olhar para o alto encontrará, em letras garrafais na parede que dá para o boteco, a inspiradora conclamação “Arrependei-vos e crede no evangelho”, há tanto tempo incorporada à paisagem que provavelmente continua lá...

JOÃO CALAZANS FILHO – Maria Fumaça, Close Up, Regine’s, Bistrô, Dose Dupla, Hipopotamus.

JORGE CARVALHO – O Vagão, boate Pá da Baleia, Club 45, Barraca de Juvená!

FERNANDO NOY – Koisa Paka... Keka do Acarajé... Pituaçu e o restaurante de Cleusa Millet... ahh ahhh axeeee!!! Cantina da Lua, tomando uma cervejinha com Laodicea de Albuquerque... Grão de Arroz, Panela de Barro... wowww!!!!!

Elenco de Lei do Cão, de Luciano Diniz. Foto arquivo de Era Lacerda Encarnação — com Carlos Ribas

LULA AFONSO – Lula do Grão morava perto da gente, em Pituaçu. Figura maneira, papo afável, temperamento obstinado. Descobriu o livro de Jorge Ohsawa e trocou as corridas de táxi pela macrobiótica, que abraçou com mística devoção. Mudou os hábitos alimentares da geração 70. Acordava ao cantar dos galos e saía para escolher alimentos frescos e saudáveis na Feira de São Joaquim, para abastecer o seu restaurante Grão de Arroz, que ficava numa ladeira estreita entre a Piedade e os Barris... Quando inaugurou, o primeiro freguês a ser servido foi outro Lula, o saudoso Wendhausen. As virtudes do arroz integral e o balanço Yin-Yang dos legumes, raízes, cereais e chás por vezes tornava amarela a pele dos veganos (não existia ainda este nome) radicais... vi gente temperando melancia com molho de soja...

IRANGA IGLESIAS – E os sentimentos? Quais sentimentos tínhamos? Fala a verdade! Era uma sensação muito boa, muito forte, era o sol batendo no peito.

FATIMA BARRETTO – Procissão do Senhor dos Navegantes, em 1º de janeiro, de saveiro! Com Sueli Ribeiro na organização! E um tal de vatapá que acabou nas águas da Baía de Todos os Santos! Kkkkkkk.

ANOS SETENTA BAHIA – Jogaram vatapá no mar?

FATIMA BARRETTO – Não. Foi a diarréia de uns 50 navegantes, em consequência de um vatapá feito por uma equipe de cozinheiros delirantes, até cachaça botaram na iguaria de dendê! Cena dantesca, com dezenas de navegantes com a bunda na borda do saveiro, num momento de calmaria! O mar ficou amarelo-vatapá! Nem Fellini, ou mais adequado ao estilo, Edgar Navarro poderiam imaginar tal cena escatológica!!!

MARIA PRADO DE OLIVEIRA – Galeria 13, Kirimurê, Doces Bárbaros...

NINO MOURA – Bar Tolha da Saudade, do Batatinha, nos Aflitos.

INÊS DOURADO – O apê de Sérgio e Cristina, no Canela, era o point da nossa galera. Praticamente todos os dias nos reuníamos lá, momentos inesquecíveis! Obrigada meus queridos Cristina Sá e Sergio Siqueira pela amizade e imensa generosidade com que acolhiam a todos!

Inês e Cacá no apê de Sérgio e Cristina, no Canela

CRISTINA SÁ – Lindos os queridos amigos e compadres, que sempre fizeram parte da nossa vida. Nos anos 70 era um convívio quase diário, que para nós sempre foi um prazer! Nada melhor do que viver rodeado de amigos amados!

FERNANDO NOY – Lambe Lambe, na rua Princesa Isabel: laboratório fotográfico do genial Sérgio Maciel Santos, onde estive tantas vezes posando, visitando, guardando para sempre no coração. Gilson Rodrigues, que ria quando eu lhe comentava que tinha os olhos mais belos que os de Liz Taylor... o grande artista plástico e maravilhoso Gilson Rodrigues... uma luz que sempre estará em nosso mundo!!!

SUKI VB – Que lindo, Sérgio Maciel Santos. Grande lembrança do Lambe Lambe. Você acertou em cheio, Fernando Noy. Sempre vi algo que me remetia à alguém nos olhos de Gilson. Liz Taylor, é claro! Bjs.

ANOS SETENTA BAHIA – O Lambe Lambe tem um arquivo que conta uma grande história. E as fotos eram arte – basta ver este lambe lambe 3x4 – foge do padrão.

LULA AFONSO – Jardim Boa Vista, em Brotas: ali morava o pintor Carybé, três casas antes da minha; por lá apareciam Jorge Amado, Mário Cravo, Carlos Bastos. Os filhos dele, Ramiro e Sossó, recebiam Marcos Maciel, Mariozinho Cravo, André Luiz Oliveira, Wagner... O fusca de Ramiro tinha o piso tão cheio de galhos e sementes que às vezes não dava pra fechar a porta... Na rua da frente (D. João VI) moravam Paulo Miguez e João Loureiro e, numa rua próxima, Beth Grebler e os netos do coronel Horácio de Mattos. Havia dois “armazém do Espanha”, um quase em frente ao outro. Sentados no murão da casa de Walter Fernandez, a patota divertia-se gritando “magarefe!” quando passava o caminhão do açougue, depois era “pernas pra que te quero” para escapar dos ossos de boi que eles arremessavam. O saudoso artista plástico Toni Ferraz dava suas pinceladas autodidatas, Joildo Góes reinava na área e aprontava com seu bugre vermelho. Morava numa casa enorme, na praça que dava acesso à rua. Uma vez os pais dele, seu Gozinho e dona Zilu, viajaram para a fazenda e Joildo fez uma festa de arromba que durou vários dias...

Joildo Góes e o saudoso artista plástico Toni Ferraz, nos jardins de Carybé. Foto Lula Afonso

ANOS SETENTA BAHIA – Pedra da Sereia, 8 horas da manhã: a festa tinha começado às 6 da tarde do dia anterior, só restava um convidado dançando no meio da sala. Todas as loucuras já tinham acontecido e agora era preciso abordar o cara e pedir para ele sair. O dono da casa perguntou pra ele: “Quem é você?” O desconhecido respondeu: “O dono da casa!” Restou ao verdadeiro dono retirar-se para um hotel, com tudo se normalizando dois dias depois. A casa tinha uma puta vista para o mar e ficava na Pedra da Sereia – Caymmi misturado com Novos Baianos.

JORGE CARVALHO – Pedra da Sereia! Morei por um ano (de favor) na casa de Marcelo Stride, um italiano super gente boa e ótimo chef... comi espaguete ao molho de mariscos pela primeira vez, feito por ele. Tive como vizinhos Fernando Bellens, cineasta e psiquiatra (como eu); outro vizinho ilustre era Chico Evangelista. Aquele varandāo de Marcelo tem muita história!

Jorginho Ramos – E o bar Jereré, ali em Amaralina, onde as noitadas eram encerradas e um novo dia se iniciava. Amanheci muito ali...

Zivé Giudice – Ao fim e ao cabo, a geração 70, dos artistas visuais, foi importante na construção de um pensamento contemporâneo, numa sociedade eminentemente modernista, sobretudo nas artes plásticas.

Fotos para o espetáculo Moblização, dirigido por Lia Robatto no TCA, em 1978. Acervo Lambe Lambe

Hamilton Cerqueira Lima – O Abaixadinho, o Avalanche...

LULA AFONSO – O box de Fênix, no Mercado Modelo... Em nenhum outro lugar –  à exceção de Garapuá – degustei lambretas com tamanha suculência e frescor. Pode-se dizer que eram lascivas no visual, no sabor e no efeito. O molho lambão de Fênix era uma alquimia apurada de temperos cortadinhos e pimenta que deitávamos sobre as lambretas fumegantes... chorávamos lágrimas de prazer ante aquela combinação com teores insanos de ardência e sabor aguçado. Para acompanhar, uma batidinha especial, uma infusão de catuaba, milome, cambuí ou jatobá, as cervejas nos trinques... um monte de gente eufórica falando alto e se apertando na boca estreita do box, Fênix se dividindo entre as panelas e o atendimento, contando causos de transbordante baianidade...

Roberto Torres – Bar Raso da Catarina, reduto dos poetas, intelectuais e boêmios, como o inesquecível Affonso Manta, o meu poeta preferido. Antonio Short e o Movimento Poetas na Praça, do qual participei. O Banzo, no Pelô: grandes noites regadas a poesia, cachaça e marijuana. Loucura pouca, bobagem. Os botecos da Gameleira, entre traficantes e marginais, tudo junto e misturado. Os puteiros da Conceição da Praia e da Ladeira da Montanha, onde eu fui sempre bem recebido.

Maazo Heck – Anos inesquecíveis...

Roberto Torres – O artista plástico Lula Queiroz e suas festas homéricas, psicodélicas, sempre regadas a muito ácido; Roberto Pires na Boca do Rio, filmando "Abrigo Nuclear".

Raimundo Matos de Leão – O teatro Vila Velha bombando. Zé Possi Neto estreando "A Casa de Bernarda Alba", em seguida "Titus Andronicus" e, no ano seguinte, "Marilyn Miranda." A histórica encenação do "Macbeth", sob a direção do argentino Ariman, depois proibida por conta da matança em cena de um bode e pelas inovações. Agora um pouco de divulgação: no meu livro "Transas na cena em transe, teatro e contracultura na Bahia”, relato sobre os acontecimentos artísticos. A passagem muito louca do Grupo Oficina...

Monica Simões em sua casa, no Boulevard Suiço. Foto Aristides Alves

Roberto Torres – Edy Star! Sílvio Lamenha!

Anos Setenta Bahia – Silvio Lamenha, grande artista e professor, depois morou em Lençóis, no lugar onde é hoje o hotel Portal, de Marcos Pedreira.

Virginia Oliveira – Andávamos pelas ruas na madrugada – e medo, só dos cachorros e dos malucos!

Tança Sales – Bloco do barão, bloco do Jacu, Baiano de Tênis , Farol da Barra no domingo, Regine’s, Hipopotamus, Maria Fumaça, Anjo Azul, festas de largo, lagoa de Pituaçu, praia de Plakafor, sorvete da Ribeira, sorvete Primavera... Muitas lembranças boas.

Roberto Torres – Nelson Maleiro, Waltinho Queiroz, Apaches do Tororó, maestro Carlos Laceda, Jorge Santos (JS Discos), Camafeu de Oxossi, Chocolate da Bahia, Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Olga de Alaketu!

Marize Monteiro Alves de Queiroz – Grávidos ou não, fazíamos a cultura acontecer na Bahia.

Roberto TorresAlcyvando Luz (É preciso perdoar); Oswaldo Fahel (Morena do Rio Vermelho); Grupo “Os Ingênuos”.

Anos Setenta Bahia – Top Bell do hotel meridien.

Tereza Oliveira embeleza algum lugar dos anos 70. Foto Sergio Siqueira

Manfred Muss – Existiam lugares menores e nem por isso menos importantes, tipo o bar do Francês no beco (travessinha da Leovigildo Figueiras).

Anos Setenta Bahia – O bar do Francês, assim como o Berro d’Água, tinha um filé delicioso.

Sergio Siqueira – Tinha o Popular, a Moenda... e o Faleiro da rua Carlos Gomes, que não fechava: de madrugada, você entrava e passava por um corredor com a parede toda escrita pelos frequentadoras, para chegar até as mesas – tanto a carne de sol como a moqueca eram de lamber os beiços. Na realidade, acho que Faleiro era o nome do dono, o do restaurante era Tabuleiro da Baiana.

Marcelo Dória – Barcaninha, de Waltinho Galinha Morta...

Marize Monteiro Alves de Queiroz – Adorávamos tomar chocolate quente com palmier na Noubar!

Marcelo Dória – A Noubar era no Campo Grande?

Marize Monteiro Alves de Queiroz – Sim, era no Campo Grande, no lado oposto ao Hotel da Bahia.

Silvio Palmeira – A Nubar era no edifício Guilhermina.

O artista plástico Cândido Soler, muito à vontade na lagoa. Foto Sergio Siqueira

Fernando Noy – Eu adorei esse show. No ano seguinte produzi para o Castro Alves Zezé Mota e Luiz Melodia. Dois gatos pretos que viraram padrinhos do bloco “As Filhas de Gandhi”, que Gliceria Vasconcelos, Mãe Iroko, havia bolado e ensaiavam defronte do Museu da Cidade, à direita da casa de William Summmers que, em verdade, era uma Babilônia no Pelourinho. Agora, uma lembrança lá no Rio Vermelho, frente ao teatro Maria Bethânia, aquele maravilhoso Café das Estrelas, com Petunia Maciel e Eleonora Ramos, entre outras deusas anfitriãs. Acho que foi já nos oitenta, confiram por favor... que bom o conteúdo geral lido anteriormente. Isto é quase um sonho que se esta fazendo, infinita realidade. Bravo, Anos Setenta Bahia! Ora ie ie ô!

Fernando Carvalho – Diolino e a "dúzia" de lambretas que vinha com onze! O maior drive-in de batida do mundo!

Fernando Noy – Ah, a Casa da Gamboa, para comer e beber delícias marinhas, o restaurante que, na Boca do Rio, instalara nada menos que a maravillosa Cleusa Millet, que mulher tão adoravel! O Cabral 1500. O Restaurante do Solar da Unhão. Pousada de Carmo, com sua feijoada a carioca. O Senac, os mingaus no amanhecer das panelas quentes, fora do Mercado Modelo. O corredor do Mercado e aqueles restaurantes cheios de panelões fervendo delícias em mesas improvisadas, compartindo com alguém qualquer... ahh, que prazer!!!

Festival de Música na ilha de Itaparica

Eurico de Jesus – Galeria 13, de Deraldo! Grupo Frutos Tropicais; Grupo Avelãs y Avestruz; Sexteto do Beco; Grupo Bendengó; grupo Tran Chan; grupo Odundê! As festas na casa dos irmãos Jota Cunha e Babalu, na Boca do Rio. Quase sempre terminávamos nas dunas de areia e na barraca de Aloísio "Yellow Sky"! As festas na casa de José Possi Neto e sua irmã Zizi Possi, na Boca do Rio... As festas embaladas ao som de Bob Marley na casa de Sueli Ribeiro, também na Boca do Rio! O Badauê de Jorjão Bafafé e Môa do Katendê!

Eurico de Jesus – Nas artes plásticas, o grupo Etsedron, de Edson da Luz; a exposição "Sertão e Luz", do artista plástico Jota Cunha, no Solar do Unhão; a exposição do artista plástico Renato da Silveira, no ACBEU; A galeria O Cavalete, de Jacy Brito, no Rio Vermelho!

Octavio Americo – Zezé e Mar Revolto, show depois do carnaval de 1978, cinco dias de Vila Velha superlotado!

Em Mar Grande, ilha de Itaparica: Gute Fernandez, Vera Maciel, Suki Villas Boas e Rosa Villas Boas. Foto Dalmiro Coronel

Eurico de Jesus – Os filmes de Bruce Lee no cine Jandaia; a sessão matinal de cada domingo no cine Guarany, apresentando Tom & Jerry! "Uma oração por um dia feliz", programa radiofônico matinal apresentado pelo Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Avelar Brandão Vilela!

Osmar 'Marrom' Martins – Teatro Gamboa, Troféu Martin Gonçalves, boate Cingapura.

Eurico de Jesus – O bar do Beto, no Pelourinho, decorado pelo artista plástico Ângelo Roberto e frequentado por artistas da música, da dança, do teatro, das artes plásticas (Carlos Bastos ia muitas vezes lá) e turistas seduzidos pela boemia baiana. Naquela época, ainda não existia o Olodum!

Rosa Villas-Boas – Escola de Dança da UFBA, dança na rua, nas praças, muita improvisação...

Lula Afonso em era pré-selfie, tentando captar num espelho os mistérios do planeta...

Fernando Noy – Falando em mulheres inesquecíveis, cada qual no seu: dona Olga do Alaketu, que parecia uma cantora de bolero misturada com Grace Jones; Eulâmpia Reiber, assessora de Geraldo Machado, diretor da Fundação Cultural; Maria Manuela e Jurema Pena, atrizes mas sempre colaboradoras do DAC da Prefeitura, com aquela brilhante pedagoga Rosita Salgado Goes; Zilah Azevedo Costa, que coordenava na Fundação Cultural. E ainda está ao pé do canhão. Wanda Solidão, assessora da diretora do DAC e amiga de Laís Salgado Goes, esposa do excepcional Clyde Morgan. O Restaurante de Camafeu de Oxossi no primeiro andar do Mercado Modelo. Espera, espera que minha barriga está lembrando delicias. A sorveteria na parte de cima do Elevador Lacerda; a confeitaria com mesinhas de café que ficava a 20 metros da esquina do ICBA, rumo ao TCA: horas falando com Yumara Rodrigues ou Lia Mara, que morava perto. A magnífica Carmen Paternostro, que me deixava ver os ensaios fascinantes do grupo Intercena. E ainda tem mais, já virão, enviarei... e agora, aquele Abraço!!

20 comentários:

  1. A orla deliciosa onde ia assistir corridas de submarinos com as desavisadas ... sem ser importunado por ninguém ! , quem se lembra do 1 motel de Salvador ? , ficava atrás do Bual´amour , em um areal da zorra , tinha um caminho estrito se bobeasse , atolava ..., paquerar as meninas para casar no farol nas tardes noites de domingo ,curtir Anjo Azul de Veras , Barroco de Carmel , XK na vitória , Boite Cloc com uma vista espetacular , comer acarajé no Farol , tomar sorvete na Bambinella , comer cachorro quente na Piedade , fumar no cine Bahia , ir ver as putas tomar banho no Monte Carlo nos sábados a tarde e fazer um lanchinho pela metade do preço com a escolhida , dirigir sem carteira de motorista ( tinha 15 anos ) e cumprimentar Pelé e ele rir era porreta , comer volauvent na Nubar ,tomar batida de limão com agua de flor de laranjeira no Mercado Modelo acompanda de dúzias de lambretas , eu vivi...rsss

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  2. Quando se fala em anjo azul, não se deve esquecer o famoso xixi de anjo; e o Gererê na amaralina? naquele tempo point de boêmios e intelectuais

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  3. duas lembranças da bahia era Itaparica sem carro só com bicicletas e o acarajé da dona Chica todo final de tarde na Pituba

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  4. Boite e Bar "Ocê que Sabe" no final da rua Ruy Barbosa,Centro, onde todas as pessoas se encontravam

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  5. alguem conheceu o bar e restaurante verão vetmelho e itapuã???

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  6. Andar pela charmosa rua Chile, com destino a praça municipal para saborear um sorvete na Cubana,com aquela vista maravilhosa da nossa Baía de Todos os Santos, coisa que faço até hoje.

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  7. Boas lembranças também da Boate Click,do Braseiro da ladeira da Praça e da Av. Carlos Gomes, andava lá pelas madrugadas e um ou outro malandro que só pedia cigarro. Foi uma época maravilhosa!

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  8. Quem lembra do Restaurante tenda dos milagres?

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  9. Closeup defronte barra vento.castelinho do abaete.senza la em piatã.Maria fumaça. Boate do bahiano de tênis. Anjo azul. São tantas lembranças

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  10. Lembrar também o Belvedere na praça da Sé.
    Bares do largo de Santo Antônio.
    Réveillon na Boa viagem, Diolino .

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  11. Tempo bom, anos dourados, curtir tudo isso.

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  12. Vivi tb esse tempo, bar do Manon perto do Terminal da Sé, comer à tardinha acarajé pela metade do preço na Ladeira da Praça, namorar bem quente no Cristo na Barra e etc

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  13. a confeitaria do campo grande se chamava Danúbio?

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  14. Alguém lembra o nome do bar , na curva, da amaralina? Onde funcionou a Alfred, e agora uma churrascaria. Em frente ao posto de saúde Adriano pondé!

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  15. Antiga Churrascaria O THÊ, onde funcionou depois a LOJA ALFRED de roupas, um pouco para trás O GERERÊ, do Gerente Sr. MACEDO, TINHA TAMBÉM A Colônia DE férias COM CAPEONATOS DE FUTEBOL DE SALÃO COM ANTIGOS JOGADORES DE Bahia, Vitória e outros, muitas vezes o pau comia e até a mesa com a súmula dos jogos sumia. Já para o lado da Pituba, ali perto tinha a churrascaria do Botafogo, não o do RJ, mas o da Bahia (vermelho e branco); Motel DO-RE-MÍ, acho que de 1977, além dos trailers de lanches TONNYS;Já nos anos 80 tinha o NEW FRED"S na Rua Visconde de Ytaboraí.
    Sem esquecer a PIZZARIA ZUCA já em frente a praia, pouco depois do quartel.

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  16. TIVE UMA PASSAGEM BREVE PELA BAHIA NOS ANOS 70, 1977 ESPECIFICAMENTE GUIADO POR MINHA TIA FLORA QUE FAZIA O JORNAL HOJE , NÓS DOIS REFUGIADOS DE MACEIÓ POR PROBLEMAS FAMILIARES E EMOCIONAIS. FIZ AMIGOS INESQUECÍVEIS E NAVEGANDO NA MEMÓRIA NO MEU REFUGIO NAS MONTANHAS DE MINAS QUASE SINTO O CHEIRO DESSA ÉPOCA UMA MISTURA DE GENTE ,TEMPERO , MÚSICA E MUITA LOUCURA. POSSO CITAR A CANTINA DA LUA DE CLARINDO SILVA, PONTO DE PARTIDA E DE CHEGADA PARA A NOITE, O RESTAURANTE MOENDA E TUDO MAIS QUE LEVA À MAIS BRUTAL SAUDADE DE UM TEMPO DESBUNDANTE DE FESTAS TODAS AS NOITES,DE GENTE ACOLHEDORA E DE UMA TERRA IMPOSSÍVEL DE SER ESQUECIDA

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  17. Em 82 passei um mês no Morro de São Paulo, tinha 15 anos, entre outras pessoas, conheci um veranista daqui de Salvador, que se tornou um amigo, Sonsinho, ele tinha um bar famoso em Brotas, chamado Bernô. Não encontrei nada no Google, alguém conheceu esse lugar? Obrigada

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