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| Marilia Jatobá no ateliê de Ney Galvão. Foto de Eva Cristina Freitas. |
Anos 70 Bahia – Episódio 21
É difícil trazer à memória os lugares aonde todo mundo ia nos anos 70, tantas e tão incríveis que eram as opções. Para quem se jogava nas "quebradas", na Bahia se encontrava um mundo fervilhante de arte, curtição e points de indescritível originalidade, para dizer o menos. Com a passagem do tempo, alguns deles se tornaram emblemáticos como o Porto da Barra, Praia dos Artistas, Pituaçu, Concha Acústica, Berro d’Água, Brasa, Teatro Vila Velha, Faleiro, Varandá, Grão de Arroz, ICBA, Itapuã, Arembepe, Berlinque, estúdio Lambe Lambe e tantos outros, sem contar as fervidas festas de largo que iam de dezembro ao carnaval, celebração máxima de todas as tribos.
Bahia, o coração multicultural do país na década. Todo mundo queria vir
para cá e os motivos sobravam. O típico roteiro 70 podia começar com o banho de
mar de obrigação no Porto, seguido de uma esticada até a praia dos Artistas. Depois,
tirar o sal nas águas límpidas (na época) da lagoa de Pituaçu, almoçar no
Divelo e calibrar o corpo e a alma para uma noitada no Berro d’Água, um show na
Concha Acústica ou no Vila Velha. Dava tempo para engatar dois shows, quando
rolava o concorrido espetáculo da meia-noite, no Vila. Nos anos 70 a noite era
sempre criança e varava a madrugada. Ninguém tinha medo de sair de casa e
circular a pé.
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| Nas festas de largo, as barracas expunham maravilhosas representações da arte popular, tradição extinta por uma asinina "padronização" imposta pela prefeitura de Salvador. Foto Adenor Gondim |
SUELI ROCHA LIMA CANATO – Saíamos num dia, voltávamos no outro... depois
de uma soneca na praia da Boca do Rio.
REGINA SOARES – E nos fins de semana emendávamos com a ilha de Itaparica
– Ponta de Areia, Amoreiras... Felizmente vivemos esse tempo!
RENATO DANTAS – Era muito massa... dormíamos com portas e janelas
abertas no Alto do São Francisco, Boca do Rio.
FATIMA BARRETTO – E podíamos amar e dormir nas praias banhadas pela luz
das estrelas e da lua, sem problemas! Nem a AIDS nos assombrava, já que ainda
nem se falava disso!
JOSE JESUS BARRETO – Sim, podíamos andar pela cidade à noite, dormir na
areia do Abaeté, nos barcos ancorados na praia da Ribeira, nas dunas da Boca do
Rio, nos bancos da praça da Barroquinha à espera do primeiro buzu ao raiar do
dia, pra voltar pra casa... outros tempos, outros costumes, sem tantos medos...
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| Em algum lugar dos anos 70 em Salvador: Bel Borba, Murilo Ribeiro, Maazo Heck, Neto, Zivé Giudice, Guache Marques, Theones e Florival Oliveira. Foto de Antônio Neto |
PRABHU EDMILSON – Veio-me a lembrança de uma antiga baiana que vendia
suas comidas de madrugada ali na praça Castro Alves. Só os mais antigos se
lembram disso. O barato mesmo era sair do "63" (o Meia Três, como era
chamado o mais famoso cabaré da Bahia), na Ladeira da Montanha, e ir comer uma
feijoada na praça Castro Alves, no tabuleiro dessa baiana. Me ajude aí na
memória, pessoal.
GESSY GESSE – As noites de sábado (hein, Nilda Spencer?) e as madrugadas
no Mercado das 7 Portas, onde por toda parte havia feirantes empurrando
carrinhos transbordantes de alface e temperos verdes, colhidos poucas horas
antes... dentro do mercado encontrávamos Jeovah de Carvalho, tão poeta, tão
boêmio que a gente esquecia de ser ele um grande advogado, um dos bons da
Bahia. Juntava-se as mesas, ali se encontrava de tudo, papo para todos os
gostos e muita poesia, muita comida e a pimenta mais ardida. E com o dia já
claro, nos dávamos ao luxo de sair do mercado para casa abraçando molhos de
temperos tenros e verdinhos, felizes da vida. (“Minha vida com o poeta”, pg.
69).
PAULO ANDRADE – Domingo à tarde no Farol, Anjo Azul, Barravento, Praia
da Onda e Sesc, Morro Ipiranga...
ARTUR CARMEL – Pá da Baleia, Bual’Amour... Concha Acústica...
FATIMA BARRETTO – Boca do Rio, cine Bahia, cine Popular, cine Capri, quadra
da Graça, Alto de Ondina, Amaralina, Pituba, Placa Ford, cine Roma, Sorvete da
Ribeira, trem da Leste...
TEREZA OLIVEIRA – Banda do Companheiro Mágico. Esse nome não podia ser
melhor!! Belo trabalho.
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| Oscar e família na lagoa de Pituaçu. Foto Sergio Maciel |
FERNANDO NOY – Guigui, no Solar do Unhão, onde íamos muito com Teresa Sá
e depois virou sede da Fundação Cultural do Estado, na gestão Valentin
Calderon... e o começo de Geraldo Machado, tão guapérrimo e glamoroso... depois
mudamos para a Biblioteca Central dos Barris... ali estavam, então, Nilson
Mendes, Zilá Azevedo e o amadérrimo Vander Prata etc. etc.
LULA AFONSO – O ateliê do estilista Di Carlo, no Relógio de São Pedro...
magérrimo, delicadíssimo, tipo Carlos Bastos embalado em pele morena. Se ele
costurasse em Roma, New York ou Paris, teria virado top da moda.
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| Solar do Unhão: lançamento da expo fotográfica "Por prazer", de Sérgio Siqueira |
SÉRGIO SIQUEIRA – Na segunda praia de Morro de São Paulo, que era
deserta, comíamos lagostas cozinhadas em fogueira ali mesmo na areia, em latas
de querosene... o sal era o da água do mar.
GESSY GESSE – O xinxim de bofe da tia Joana, no Terreiro de Jesus,
servido nas madrugadas em pratos de alumínio amassado, onde comiam com muito
gosto artistas, jornalistas, putas, intelectuais, todos na maior harmonia,
desfrutando o prazer de um tempero especial e companhias insólitas... E havia
ainda a feijoada da Alice, na parte baixa do Elevador Lacerda. Ela namorava um
açougueiro chamado Momó, que morria de ciúmes da nega dele. Ele serrava o osso
e cortava a carne com um olho no trabalho e o outro em quem encostava no
tabuleiro de Alice... (“Minha vida com o poeta”, pg. 69).
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| Electra 72 – Teatro Castro Alves |
PAULO ANDRADE – Green House, Itapuã no veraneio, faixas de hippie na
calça Lee e sandálias de couro e sola de pneu que vendiam na Barroquinha...
LETICIA MUHANA – Kirimurê, Rua M em Itapuã, Barra do Gil, Santo Amaro,
Morro do Gato, Sala do Coro do TCA, Colégio de Aplicação, Central, Praça da Sé,
Guarani, Liceu, TV Aratu.
ARTUR CARMEL – Boate Barroco, Gincana da Primavera.
RITA ASSEMANY – Escadaria do TCA.
ELÍSIO ANDRADE – Anjo Azul, Tarrafa, Papo de Bruxa, Bar do Barão,
Close-Up, 63.
TEREZA OLIVEIRA – Colégio de Aplicação, Oficina Nacional de Dança.
GLAUVÂNIA – Quem não lanchou na Cubana, em cima do elevador Lacerda e na Roses, no início da Carlos Gomes? E por falar em Carlos Gomes, quem não comeu as esfhias do Good Day e do Teng Teng, ali em frente ao Brazeiro? Tomou cerveja mini e paquerou na Moenda, cheia de turistas? Comia no chinês Tong Fong, em frente ao Fórum; todas as sextas e sábados o programa era ir para o Barravento… (http://bahiaempauta.com.br/?p=24373)
GLAUVÂNIA – Quem não lanchou na Cubana, em cima do elevador Lacerda e na Roses, no início da Carlos Gomes? E por falar em Carlos Gomes, quem não comeu as esfhias do Good Day e do Teng Teng, ali em frente ao Brazeiro? Tomou cerveja mini e paquerou na Moenda, cheia de turistas? Comia no chinês Tong Fong, em frente ao Fórum; todas as sextas e sábados o programa era ir para o Barravento… (http://bahiaempauta.com.br/?p=24373)
LÍGIA AGUIAR – As festas de largo, Rua L e M em Itapuã, bar de Vinicius
e Gessy Gesse, bar do Galo...
LULA
AFONSO – Nas sextas à noite a pedida era assistir filme de arte no cine Rio
Vermelho. Depois da sessão, todo mundo corria pro o Barril Vermelho para, em clima de festa de largo soft, conversar sobre cultura e política, azarar a moçada bonita e engatar o embalo seguinte na night. Ficava na área externa do belo casarão na margem do rio – na outra ponta ficava o tradicional (e recém-extinto) Mercado do Peixe. Depois de longo tempo fechado, o
Barril reabriu com outro nome (operado pelo saudoso Tinoco), fechou e virou loja
de som automotivo, fechou de novo e reabriu como bar de eventos musicais; não
aguentou a parada nas obras recentes no bairro e o espaço está de novo fechado. O cinema, em
linha com a evolução cultural que transformou em churrascaria o teatro Maria Betânia, virou templo evangélico (o pastor estaciona
seus carrões na entrada dos fundos do Boteco do França, antes de serem armadas
as mesas). Quem olhar para o alto encontrará, em letras garrafais na parede que
dá para o boteco, a inspiradora conclamação “Arrependei-vos e crede no evangelho”, há
tanto tempo incorporada à paisagem que provavelmente continua lá...
JOÃO CALAZANS FILHO – Maria Fumaça, Close Up, Regine’s, Bistrô, Dose Dupla, Hipopotamus.
JOÃO CALAZANS FILHO – Maria Fumaça, Close Up, Regine’s, Bistrô, Dose Dupla, Hipopotamus.
JORGE CARVALHO – O Vagão, boate Pá da Baleia, Club 45, Barraca de
Juvená!
FERNANDO NOY – Koisa Paka... Keka do Acarajé... Pituaçu e o restaurante
de Cleusa Millet... ahh ahhh axeeee!!! Cantina da Lua, tomando uma cervejinha
com Laodicea de Albuquerque... Grão de Arroz, Panela de Barro... wowww!!!!!
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| Elenco de Lei do Cão, de Luciano Diniz. Foto arquivo de Era Lacerda Encarnação — com Carlos Ribas |
LULA AFONSO – Lula do Grão morava perto da gente, em Pituaçu. Figura
maneira, papo afável, temperamento obstinado. Descobriu o livro de Jorge Ohsawa
e trocou as corridas de táxi pela macrobiótica, que abraçou com mística
devoção. Mudou os hábitos alimentares da geração 70. Acordava ao cantar dos
galos e saía para escolher alimentos frescos e saudáveis na Feira de São
Joaquim, para abastecer o seu restaurante Grão de Arroz, que ficava numa
ladeira estreita entre a Piedade e os Barris... Quando inaugurou, o primeiro
freguês a ser servido foi outro Lula, o saudoso Wendhausen. As virtudes do
arroz integral e o balanço Yin-Yang dos legumes, raízes, cereais e chás por
vezes tornava amarela a pele dos veganos (não existia ainda este nome)
radicais... vi gente temperando melancia com molho de soja...
IRANGA IGLESIAS – E os sentimentos? Quais sentimentos tínhamos? Fala a
verdade! Era uma sensação muito boa, muito forte, era o sol batendo no peito.
FATIMA BARRETTO – Procissão do Senhor dos Navegantes, em 1º de janeiro,
de saveiro! Com Sueli Ribeiro na organização! E um tal de vatapá que acabou nas
águas da Baía de Todos os Santos! Kkkkkkk.
ANOS SETENTA BAHIA – Jogaram vatapá no mar?
FATIMA BARRETTO – Não. Foi a diarréia de uns 50 navegantes, em
consequência de um vatapá feito por uma equipe de cozinheiros delirantes, até
cachaça botaram na iguaria de dendê! Cena dantesca, com dezenas de navegantes
com a bunda na borda do saveiro, num momento de calmaria! O mar ficou
amarelo-vatapá! Nem Fellini, ou mais adequado ao estilo, Edgar Navarro poderiam
imaginar tal cena escatológica!!!
MARIA PRADO DE OLIVEIRA – Galeria 13, Kirimurê, Doces Bárbaros...
NINO MOURA – Bar Tolha da Saudade, do Batatinha, nos Aflitos.
INÊS DOURADO – O apê de Sérgio e Cristina, no Canela, era o point da
nossa galera. Praticamente todos os dias nos reuníamos lá, momentos
inesquecíveis! Obrigada meus queridos Cristina Sá e Sergio Siqueira pela
amizade e imensa generosidade com que acolhiam a todos!
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| Inês e Cacá no apê de Sérgio e Cristina, no Canela |
CRISTINA SÁ – Lindos os queridos amigos e compadres, que sempre fizeram
parte da nossa vida. Nos anos 70 era um convívio quase diário, que para nós
sempre foi um prazer! Nada melhor do que viver rodeado de amigos amados!
FERNANDO NOY – Lambe Lambe, na rua Princesa Isabel: laboratório
fotográfico do genial Sérgio Maciel Santos, onde estive tantas vezes posando,
visitando, guardando para sempre no coração. Gilson Rodrigues, que ria quando
eu lhe comentava que tinha os olhos mais belos que os de Liz Taylor... o grande
artista plástico e maravilhoso Gilson Rodrigues... uma luz que sempre estará em
nosso mundo!!!
SUKI VB – Que lindo, Sérgio Maciel Santos. Grande lembrança do Lambe
Lambe. Você acertou em cheio, Fernando Noy. Sempre vi algo que me remetia à alguém
nos olhos de Gilson. Liz Taylor, é claro! Bjs.
ANOS SETENTA BAHIA – O Lambe Lambe tem um arquivo que conta uma grande
história. E as fotos eram arte – basta ver este lambe lambe 3x4 – foge do
padrão.
LULA AFONSO – Jardim Boa Vista, em Brotas: ali morava o pintor Carybé,
três casas antes da minha; por lá apareciam Jorge Amado, Mário Cravo, Carlos
Bastos. Os filhos dele, Ramiro e Sossó, recebiam Marcos Maciel, Mariozinho
Cravo, André Luiz Oliveira, Wagner... O fusca de Ramiro tinha o piso tão cheio
de galhos e sementes que às vezes não dava pra fechar a porta... Na rua da
frente (D. João VI) moravam Paulo Miguez e João Loureiro e, numa rua próxima,
Beth Grebler e os netos do coronel Horácio de Mattos. Havia dois “armazém do
Espanha”, um quase em frente ao outro. Sentados no murão da casa de Walter
Fernandez, a patota divertia-se gritando “magarefe!” quando passava o caminhão
do açougue, depois era “pernas pra que te quero” para escapar dos ossos de boi
que eles arremessavam. O saudoso artista plástico Toni Ferraz dava suas
pinceladas autodidatas, Joildo Góes reinava na área e aprontava com seu bugre
vermelho. Morava numa casa enorme, na praça que dava acesso à rua. Uma vez os
pais dele, seu Gozinho e dona Zilu, viajaram para a fazenda e Joildo fez uma festa
de arromba que durou vários dias...
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| Joildo Góes e o saudoso artista plástico Toni Ferraz, nos jardins de Carybé. Foto Lula Afonso |
ANOS SETENTA BAHIA – Pedra da Sereia, 8 horas da manhã: a festa tinha
começado às 6 da tarde do dia anterior, só restava um convidado dançando no
meio da sala. Todas as loucuras já tinham acontecido e agora era preciso
abordar o cara e pedir para ele sair. O dono da casa perguntou pra ele: “Quem é
você?” O desconhecido respondeu: “O dono da casa!” Restou ao verdadeiro dono
retirar-se para um hotel, com tudo se normalizando dois dias depois. A casa
tinha uma puta vista para o mar e ficava na Pedra da Sereia – Caymmi misturado
com Novos Baianos.
JORGE CARVALHO – Pedra da Sereia! Morei por um ano (de favor) na casa de
Marcelo Stride, um italiano super gente boa e ótimo chef... comi espaguete ao
molho de mariscos pela primeira vez, feito por ele. Tive como vizinhos Fernando
Bellens, cineasta e psiquiatra (como eu); outro vizinho ilustre era Chico
Evangelista. Aquele varandāo de Marcelo tem muita história!
Jorginho
Ramos – E o bar Jereré, ali em Amaralina, onde as
noitadas eram encerradas e um novo dia se iniciava. Amanheci muito ali...
Zivé Giudice –
Ao fim e ao cabo, a geração 70, dos artistas visuais, foi importante na
construção de um pensamento contemporâneo, numa sociedade eminentemente
modernista, sobretudo nas artes plásticas.
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| Fotos para o espetáculo Moblização, dirigido por Lia Robatto no TCA, em 1978. Acervo Lambe Lambe |
Hamilton
Cerqueira Lima – O Abaixadinho, o Avalanche...
LULA AFONSO – O box de Fênix, no Mercado Modelo... Em nenhum outro lugar – à exceção de Garapuá – degustei lambretas com tamanha suculência e frescor. Pode-se dizer que eram lascivas no visual, no sabor e no efeito. O molho lambão de Fênix era uma alquimia apurada de temperos cortadinhos e pimenta que deitávamos sobre as lambretas fumegantes... chorávamos lágrimas de prazer ante aquela combinação com teores insanos de ardência e sabor aguçado. Para acompanhar, uma batidinha especial, uma infusão de catuaba, milome, cambuí ou jatobá, as cervejas nos trinques... um monte de gente eufórica falando alto e se apertando na boca estreita do box, Fênix se dividindo entre as panelas e o atendimento, contando causos de transbordante baianidade...
Roberto Torres –
Bar Raso da Catarina, reduto dos poetas, intelectuais e boêmios, como o
inesquecível Affonso Manta, o meu poeta preferido. Antonio Short e o Movimento
Poetas na Praça, do qual participei. O Banzo,
no Pelô: grandes noites regadas a poesia, cachaça e marijuana. Loucura pouca, bobagem. Os
botecos da Gameleira, entre traficantes e marginais, tudo junto e misturado. Os
puteiros da Conceição da Praia e da Ladeira da Montanha, onde eu fui sempre bem
recebido.
Maazo Heck –
Anos inesquecíveis...
Roberto Torres –
O artista plástico Lula Queiroz e suas festas homéricas, psicodélicas, sempre
regadas a muito ácido; Roberto Pires na Boca do Rio, filmando "Abrigo
Nuclear".
Raimundo
Matos de Leão – O teatro Vila Velha bombando. Zé Possi Neto
estreando "A Casa de Bernarda Alba", em seguida "Titus
Andronicus" e, no ano seguinte, "Marilyn Miranda." A histórica
encenação do "Macbeth", sob a direção do argentino Ariman, depois
proibida por conta da matança em cena de um bode e pelas inovações. Agora um
pouco de divulgação: no meu livro "Transas na cena em transe, teatro e
contracultura na Bahia”, relato sobre os acontecimentos artísticos. A passagem
muito louca do Grupo Oficina...
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| Monica Simões em sua casa, no Boulevard Suiço. Foto Aristides Alves |
Roberto Torres –
Edy Star! Sílvio Lamenha!
Anos
Setenta Bahia – Silvio Lamenha, grande artista e professor,
depois morou em Lençóis, no lugar onde é hoje o hotel Portal, de Marcos
Pedreira.
Virginia
Oliveira – Andávamos pelas ruas na madrugada – e medo,
só dos cachorros e dos malucos!
Tança
Sales – Bloco do barão, bloco do Jacu, Baiano de Tênis
, Farol da Barra no domingo, Regine’s, Hipopotamus, Maria Fumaça, Anjo Azul,
festas de largo, lagoa de Pituaçu, praia de Plakafor, sorvete da Ribeira,
sorvete Primavera... Muitas lembranças boas.
Roberto Torres –
Nelson Maleiro, Waltinho Queiroz, Apaches do Tororó, maestro
Carlos Laceda, Jorge Santos (JS Discos),
Camafeu de Oxossi, Chocolate da Bahia, Mestre
Pastinha, Mestre Bimba, Olga de
Alaketu!
Marize
Monteiro Alves de Queiroz – Grávidos ou não, fazíamos a cultura
acontecer na Bahia.
Roberto Torres – Alcyvando Luz (É preciso perdoar); Oswaldo Fahel (Morena do Rio Vermelho); Grupo “Os
Ingênuos”.
Anos
Setenta Bahia – Top Bell do hotel meridien.
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| Tereza Oliveira embeleza algum lugar dos anos 70. Foto Sergio Siqueira |
Manfred Muss
– Existiam lugares menores e nem por isso menos importantes, tipo o bar do
Francês no beco (travessinha da Leovigildo Figueiras).
Anos
Setenta Bahia – O bar do Francês, assim como o Berro d’Água,
tinha um filé delicioso.
Sergio
Siqueira – Tinha o Popular, a Moenda... e o Faleiro da
rua Carlos Gomes, que não fechava: de madrugada, você entrava e passava por um
corredor com a parede toda escrita pelos frequentadoras, para chegar até as
mesas – tanto a carne de sol como a moqueca eram de lamber os beiços. Na
realidade, acho que Faleiro era o nome do dono, o do restaurante era Tabuleiro
da Baiana.
Marcelo
Dória – Barcaninha, de Waltinho Galinha Morta...
Marize
Monteiro Alves de Queiroz – Adorávamos tomar chocolate quente com
palmier na Noubar!
Marcelo
Dória – A Noubar era no Campo Grande?
Marize
Monteiro Alves de Queiroz – Sim, era no Campo Grande, no lado oposto ao
Hotel da Bahia.
Silvio
Palmeira – A Nubar era no edifício Guilhermina.
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| O artista plástico Cândido Soler, muito à vontade na lagoa. Foto Sergio Siqueira |
Fernando Noy –
Eu adorei esse show. No ano seguinte produzi para o Castro Alves Zezé Mota e Luiz
Melodia. Dois gatos pretos que viraram padrinhos do bloco “As Filhas de Gandhi”,
que Gliceria Vasconcelos, Mãe Iroko, havia bolado e ensaiavam defronte do Museu
da Cidade, à direita da casa de William Summmers que, em verdade, era uma
Babilônia no Pelourinho. Agora, uma lembrança lá no Rio Vermelho, frente ao
teatro Maria Bethânia, aquele maravilhoso Café das Estrelas, com Petunia Maciel
e Eleonora Ramos, entre outras deusas anfitriãs. Acho que foi já nos oitenta,
confiram por favor... que bom o conteúdo geral lido anteriormente. Isto é quase
um sonho que se esta fazendo, infinita realidade. Bravo, Anos Setenta Bahia! Ora ie ie ô!
Fernando Carvalho –
Diolino e a "dúzia" de lambretas que vinha com onze! O maior
drive-in de batida do mundo!
Fernando Noy – Ah, a Casa da Gamboa,
para comer e beber delícias marinhas, o restaurante que, na Boca do Rio,
instalara nada menos que a maravillosa Cleusa Millet, que mulher tão adoravel!
O Cabral 1500. O Restaurante do Solar da Unhão. Pousada de Carmo, com sua feijoada
a carioca. O Senac, os mingaus no amanhecer das panelas quentes, fora do
Mercado Modelo. O corredor do Mercado e aqueles restaurantes cheios de panelões
fervendo delícias em mesas improvisadas, compartindo com alguém qualquer... ahh, que prazer!!!
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| Festival de Música na ilha de Itaparica |
Eurico de Jesus –
Galeria 13, de Deraldo! Grupo Frutos Tropicais; Grupo Avelãs y
Avestruz; Sexteto do Beco; Grupo Bendengó; grupo Tran Chan; grupo
Odundê! As festas na casa dos irmãos Jota Cunha e Babalu, na Boca do Rio.
Quase sempre terminávamos nas dunas de areia e na barraca de Aloísio
"Yellow Sky"! As festas na casa de
José Possi Neto e sua irmã Zizi Possi, na Boca do Rio... As festas
embaladas ao som de Bob Marley na casa de Sueli Ribeiro, também na Boca do Rio!
O Badauê de Jorjão Bafafé e Môa do Katendê!
Eurico de Jesus –
Nas artes plásticas, o grupo Etsedron, de Edson da Luz; a exposição
"Sertão e Luz", do artista plástico Jota Cunha, no Solar do Unhão; a
exposição do artista plástico Renato da Silveira, no ACBEU; A galeria O Cavalete, de Jacy Brito, no Rio
Vermelho!
Octavio
Americo – Zezé e Mar Revolto, show depois do carnaval
de 1978, cinco dias de Vila Velha superlotado!
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| Em Mar Grande, ilha de Itaparica: Gute Fernandez, Vera Maciel, Suki Villas Boas e Rosa Villas Boas. Foto Dalmiro Coronel |
Eurico de Jesus –
Os filmes de Bruce Lee no cine Jandaia; a sessão matinal de cada domingo
no cine Guarany, apresentando Tom & Jerry! "Uma oração por um dia
feliz", programa radiofônico matinal apresentado pelo Arcebispo Primaz do
Brasil, Dom Avelar Brandão Vilela!
Osmar
'Marrom' Martins – Teatro Gamboa, Troféu Martin Gonçalves,
boate Cingapura.
Eurico de Jesus –
O bar do Beto, no Pelourinho, decorado pelo artista plástico Ângelo Roberto e
frequentado por artistas da música, da dança, do teatro, das artes plásticas
(Carlos Bastos ia muitas vezes lá) e turistas seduzidos pela boemia baiana.
Naquela época, ainda não existia o Olodum!
Rosa
Villas-Boas – Escola de Dança da UFBA, dança na rua, nas
praças, muita improvisação...
| Lula Afonso em era pré-selfie, tentando captar num espelho os mistérios do planeta... |
Fernando Noy –
Falando em mulheres inesquecíveis, cada qual no seu: dona Olga do Alaketu, que parecia
uma cantora de bolero misturada com Grace Jones; Eulâmpia Reiber, assessora de
Geraldo Machado, diretor da Fundação Cultural; Maria Manuela e Jurema Pena,
atrizes mas sempre colaboradoras do DAC da Prefeitura, com aquela brilhante
pedagoga Rosita Salgado Goes; Zilah Azevedo Costa, que coordenava na Fundação
Cultural. E ainda está ao pé do canhão. Wanda Solidão, assessora da diretora do
DAC e amiga de Laís Salgado Goes, esposa do excepcional Clyde Morgan. O Restaurante
de Camafeu de Oxossi no primeiro andar do Mercado Modelo. Espera, espera que
minha barriga está lembrando delicias. A sorveteria na parte de cima do Elevador
Lacerda; a confeitaria com mesinhas de café que ficava a 20 metros da esquina
do ICBA, rumo ao TCA: horas falando com Yumara Rodrigues ou Lia Mara, que
morava perto. A magnífica Carmen Paternostro, que me deixava ver os ensaios
fascinantes do grupo Intercena. E ainda tem mais, já virão, enviarei... e agora,
aquele Abraço!!















A orla deliciosa onde ia assistir corridas de submarinos com as desavisadas ... sem ser importunado por ninguém ! , quem se lembra do 1 motel de Salvador ? , ficava atrás do Bual´amour , em um areal da zorra , tinha um caminho estrito se bobeasse , atolava ..., paquerar as meninas para casar no farol nas tardes noites de domingo ,curtir Anjo Azul de Veras , Barroco de Carmel , XK na vitória , Boite Cloc com uma vista espetacular , comer acarajé no Farol , tomar sorvete na Bambinella , comer cachorro quente na Piedade , fumar no cine Bahia , ir ver as putas tomar banho no Monte Carlo nos sábados a tarde e fazer um lanchinho pela metade do preço com a escolhida , dirigir sem carteira de motorista ( tinha 15 anos ) e cumprimentar Pelé e ele rir era porreta , comer volauvent na Nubar ,tomar batida de limão com agua de flor de laranjeira no Mercado Modelo acompanda de dúzias de lambretas , eu vivi...rsss
ResponderExcluirQuando se fala em anjo azul, não se deve esquecer o famoso xixi de anjo; e o Gererê na amaralina? naquele tempo point de boêmios e intelectuais
ResponderExcluirduas lembranças da bahia era Itaparica sem carro só com bicicletas e o acarajé da dona Chica todo final de tarde na Pituba
ResponderExcluirBoite e Bar "Ocê que Sabe" no final da rua Ruy Barbosa,Centro, onde todas as pessoas se encontravam
ResponderExcluirMeu pai era frequentador assíduo!Também do Bar de Abel!
Excluiralguem conheceu o bar e restaurante verão vetmelho e itapuã???
ResponderExcluirEu era feliz e sabia!
ResponderExcluirAndar pela charmosa rua Chile, com destino a praça municipal para saborear um sorvete na Cubana,com aquela vista maravilhosa da nossa Baía de Todos os Santos, coisa que faço até hoje.
ResponderExcluirBoas lembranças também da Boate Click,do Braseiro da ladeira da Praça e da Av. Carlos Gomes, andava lá pelas madrugadas e um ou outro malandro que só pedia cigarro. Foi uma época maravilhosa!
ResponderExcluirQuem lembra do Restaurante tenda dos milagres?
ResponderExcluirSim...
ExcluirShow de capoeira
Closeup defronte barra vento.castelinho do abaete.senza la em piatã.Maria fumaça. Boate do bahiano de tênis. Anjo azul. São tantas lembranças
ResponderExcluirLembrar também o Belvedere na praça da Sé.
ResponderExcluirBares do largo de Santo Antônio.
Réveillon na Boa viagem, Diolino .
Tempo bom, anos dourados, curtir tudo isso.
ResponderExcluirVivi tb esse tempo, bar do Manon perto do Terminal da Sé, comer à tardinha acarajé pela metade do preço na Ladeira da Praça, namorar bem quente no Cristo na Barra e etc
ResponderExcluira confeitaria do campo grande se chamava Danúbio?
ResponderExcluirAlguém lembra o nome do bar , na curva, da amaralina? Onde funcionou a Alfred, e agora uma churrascaria. Em frente ao posto de saúde Adriano pondé!
ResponderExcluirAntiga Churrascaria O THÊ, onde funcionou depois a LOJA ALFRED de roupas, um pouco para trás O GERERÊ, do Gerente Sr. MACEDO, TINHA TAMBÉM A Colônia DE férias COM CAPEONATOS DE FUTEBOL DE SALÃO COM ANTIGOS JOGADORES DE Bahia, Vitória e outros, muitas vezes o pau comia e até a mesa com a súmula dos jogos sumia. Já para o lado da Pituba, ali perto tinha a churrascaria do Botafogo, não o do RJ, mas o da Bahia (vermelho e branco); Motel DO-RE-MÍ, acho que de 1977, além dos trailers de lanches TONNYS;Já nos anos 80 tinha o NEW FRED"S na Rua Visconde de Ytaboraí.
ResponderExcluirSem esquecer a PIZZARIA ZUCA já em frente a praia, pouco depois do quartel.
TIVE UMA PASSAGEM BREVE PELA BAHIA NOS ANOS 70, 1977 ESPECIFICAMENTE GUIADO POR MINHA TIA FLORA QUE FAZIA O JORNAL HOJE , NÓS DOIS REFUGIADOS DE MACEIÓ POR PROBLEMAS FAMILIARES E EMOCIONAIS. FIZ AMIGOS INESQUECÍVEIS E NAVEGANDO NA MEMÓRIA NO MEU REFUGIO NAS MONTANHAS DE MINAS QUASE SINTO O CHEIRO DESSA ÉPOCA UMA MISTURA DE GENTE ,TEMPERO , MÚSICA E MUITA LOUCURA. POSSO CITAR A CANTINA DA LUA DE CLARINDO SILVA, PONTO DE PARTIDA E DE CHEGADA PARA A NOITE, O RESTAURANTE MOENDA E TUDO MAIS QUE LEVA À MAIS BRUTAL SAUDADE DE UM TEMPO DESBUNDANTE DE FESTAS TODAS AS NOITES,DE GENTE ACOLHEDORA E DE UMA TERRA IMPOSSÍVEL DE SER ESQUECIDA
ResponderExcluirEm 82 passei um mês no Morro de São Paulo, tinha 15 anos, entre outras pessoas, conheci um veranista daqui de Salvador, que se tornou um amigo, Sonsinho, ele tinha um bar famoso em Brotas, chamado Bernô. Não encontrei nada no Google, alguém conheceu esse lugar? Obrigada
ResponderExcluir