sábado, 18 de junho de 2016

ICBA: TERRITÓRIO LIVRE DA ARTE


Anos 70 Bahia – Episódio 20

O Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA, hoje Instituto Goethe) era um reduto de pura arte, uma referência na cultura da Bahia em pleno período da ditadura. Localizado em ponto estratégico no Corredor da Vitória, firmou-se nos anos 70 como território livre da dança, teatro, música, cinema. O bar fervilhava de gente interessante. Dirigido com brilho e coração por Roland Schaffner, o ICBA era a casa do Intercena, da Banda do Companheiro Mágico, da Jornada de Cinema, do Sexteto do Beco e do Baiafro de Djalma Correia, aglutinando as tribos e gerando acontecimentos participativos com total liberdade de expressão. Não havia censura nesse espaço: por ser território com status estrangeiro, dava certa segurança. A Jornada de Cinema, liderada por Guido Araújo, começou no ICBA. Também foram criadas em seu território as cooperativas artísticas, núcleo de vídeo, quadrinhos, formação de ator e música eletrônica. Certo dia a polícia cercou esse templo do livre-pensar, mas não pôde entrar, a diplomacia venceu e a repressão teve que recuar.


SUKI VB – Schaffnner conta esse episódio em seu livro "Memoráveis paixões transculturais: euroafroamerindia", uma espécie de memórias de sua trajetória. Se não estou enganada foi durante a Jornada de Cinema da Bahia.

ROGÉRIO MENEZES – Eu que o diga. Cala-te boca.

SÉRGIO SIQUEIRA – Em um trecho do artigo intitulado “A Bahia, o ICBA, a Alemanha e nós soteropolitanos” o jornalista Paulo Setúbal escreveu: “(...) Schaffner, usando de altruísmo, de bom senso democrático e de muita coragem abriu e deixou abertas as portas do ICBA para abrigar os baianos mais conscientes que queriam escapar do jugo dos imbecis em gôndolas, sequiosos de nos impor o que deveríamos ver, ler, falar e até pensar. Seus braços truculentos não alcançavam a entidade alemã, seus coturnos sujos de sangue não podiam ali pisar. Invadir o ICBA seria invadir a própria Alemanha. Então ali, naquele autêntico oásis democrático, podíamos ver exposições e também expor sem amarras da censura em voga no país. Podíamos desenhar, pintar, ver peças teatrais, atuar nelas, ler. E o fazíamos. Líamos, conversávamos, sonhávamos, ríamos, vivíamos (...).

Roland Schaffner

RITA VIEIRA – Jorge Portugal não esquece esse momento vivido por ele e seus amigos. Schaffner e Carmen foram muito importantes na formação cultural desses jovens!

FERNANDO NOY – Schaffner-Carmen- Suki-Teresa-Conga... são tantos os nomes e momentos incríveis vividos naquele jardim das estátuas pintadas de jeito tão surrealista. Uma tarde Maria Bethânia me disse, como sempre adorável: "Estranho, você é um argentino que os chauvinistas baianos adoram..." – e soltou a gargalhada... Realmente, o ICBA é um templo na nossa memória mais amada... axéeee... Estamos ahi!!!

SÉRGIO SIQUEIRA – Muitas vezes a noite começava pelo ICBA, que sempre tinha atração, um bom filme, uma boa música. Lembro do show de Jorge Alfredo lá, do show de Butuca, das exposições de arte, enfim sempre coisa boa. Era também um ponto de encontro, para conversar e saber das novidades. A gestão aberta de Schaffner fez a diferença, aproveitando um tempo em que, apesar da ditadura, Salvador estava acontecendo e a Bahia era o imaginário do mundo. Caetano e Gil voltavam do exílio, Vinicius se estabelecia em Itapoan, os Novos Baianos brilhavam e Moraes, ao colocar voz no trio elétrico, rescreveu o carnaval da Bahia. Tudo passava por aqui, graças à revolução cultural-educacional que foi feita lá atrás, pelo reitor da UFBA, Edgard Santos (a Tropicália e o Cinema Novo não existiriam sem ele).

Grupo Intecena em ação: Suki Vilas Boas,Tereza Oliveira, Reginaldo, Daniel Flores, Raimundo Sodré, Rubens. Direção Carmen Paternostro

Roberto Torres – É um exagero afirmar que a Tropicália e o Cinema Novo não existiriam sem Edgard Santos. Quem criou o conceito tropicalista foi o carioca Hélio Oiticica, com a exposição Tropicália, antes dos cantores baianos desembarcarem no Rio de Janeiro; e o cinema novo (Glauber e Roberto Pires) não receberam nenhum apoio de Edgad Santos para existir.

sergio siqueira – Muita gente fala isso – ao implantar as universidades de arte na Bahia, na década de 50, e trazer para cá gente como Lina Bo Bardi, Martim Gonçalves e Smetack, entre outros, Edgard Santos fez a base sólida para que a Bahia se tornasse o centro cultural do Brasil – acho que, graças a isso, o cinema novo aconteceu e a Tropicália também – é uma boa discussão. Hélio Oiticica tem grande importância (parangolés) e o nome veio dessa expo, embora digam que Caetano, ao colocar o nome na música, não sabia do nome dado à expo por Hélio. Em entrevista sobre a Tropicalia, muita gente fala dessa base de Edgard – e Roberto Santana fala que Caetano aglutinou tudo.

Roberto Torres – Aglutinou e/ou se apropriou!?

SÉRGIO SIQUEIRA – Em entrevista, Roberto Santana, produtor que apresentou Caetano a Gil e fez o celebre show Nós por exemplo, no Vila Velha, fala que Caetano, ao sair da Bahia e ir para São Paulo (levando Tom Zé), já tinha uma visão do todo e juntou tudo isso num movimento. Vale também dizer que a Tropicália era um movimento que buscava as massas. O mais Tropicalista de todos, aliás até hoje é Tom Zé. Não acho que Caetano se apropriou de nada, ele fez a parte dele...

Show Após-Calipso. Foto: arquivo pessoal de Era Lacerda Encarnação 

Roberto Torres – A Tropicália iniciou-se não pela música, mas pelas artes plásticas. A mídia aproveitou a música como paradigma da Tropicália por ela ser mais comercializável e Caetano e Gil, orientados pelo produtor Guilherme Araujo, embarcaram nessa. As pessoas falam sem saber. Não pesquisam as fontes, a história, e ficam repetindo essa conversa que tudo começou com Edgard Santos.

SÉRGIO SIQUEIRA – A Tropicália misturou tudo: além de arte, também foi comportamento. O nome também acho que Oiticica colocou primeiro, não foi coincidência. A Tropicália é Hélio Oiticica, Rogério Duarte, Caetano, Gil, Tom Zé , José Celso, Capinam, Mutantes, Chacrinha. Edgard Santos, ao criar em 1950 (ato revolucionário) as universidades e escolas de arte e trazer para a cidade da Bahia nomes como Lina Bo Bardi, Smetack, Martim Gonçalves, Yanka Rudzka, Koelreuter, Agostinho dos Silva, criou as condições necessárias para que o Cinema Novo, a Tropicália e outras coisas mais acontecessem e a Bahia se tornasse, nos anos 60-70, o centro cultural do Brasil – e também imaginário do mundo, circulando por aqui de Janis a Polanski. Edgard Santos tem importância alta nisso tudo.

Roberto Torres – O Cinema Novo começou, na minha opinião, com "A Grande Feira", de Roberto Pires, produzido pela Iglu Filmes (firma criada por Roberto) e financiado por seu cunhado Hélio Lima. Quando Glauber filmou "Deus e o Diabo", não precisou de apoio nenhum de Edgar Santos e muito menos foi patrocinado pela Universidade. (...) Mais responsável do que Edgard Santos pela criação da Tropicália e do Cinema Novo foi o artista plástico, poeta, guru de Caetano e Gil, Rogério Duarte. Indico o documentário de José Walter Lima "Rogério Duarte – Tropikaoslista", que desvenda grande parte desses dilemas. Tanto em relação à origem da Tropicália quanto ao Cinema Novo. Rogério foi grande amigo e cunhado de Glauber, casado com Aneci, e suas ideias flamejantes influenciaram toda aquela geração.


SÉRGIO SIQUEIRA – Achamos plausível e verdadeira a tese de que Edgard Santos plantou a semente para que a Bahia se tornasse o centro cultural do Brasil e, nos anos 60/70, o imaginário do mundo. Você há de convir que implantar pioneiramente no Brasil, na década de 50, as universidades e escolas de arte, trazendo as grandes cabeças contemporâneas para cá, foi um ato revolucionário, e um ato revolucionário cultural educacional não tem como não gerar boas sementes. Roberto Santana falou isso em entrevista, Tuzé de Abreu também e Maria Moniz (“Hoje não vai ter sopa na varanda de Maria” – dizeres de contracapa de um discos da Tropicália) também citou Edgard Santos. Concluindo o pensamento, Edgard Santos criou todas as condições, colocou todas as informações necessárias para que a Bahia fosse vanguarda e assim foi. Voltando à Tropicália, o movimento misturou tudo e é verdade que ele é muito mais que música, é comportamento e todas as artes, até o hino do Senhor do Bonfim foi incorporado, Chacrinha também é a cara da Tropicália. Viva Helio Oiticica, viva Rogério Duarte, Capinam, Caetano, Gil. A Tropicália bebeu também no Cinema Novo (Terra em Transe) – viva Glauber!

Roberto Torres – No meu entender, isso é um factoide. Não esqueçamos que Elomar foi expulso da escola de música por suas ideias, pouco concebíveis na época. E não só ele, como também Tom Zé sofreu represálias dos academicistas da Escola de Música. (...) Por conta dessa amizade com Rogério Duarte, que chegou ao Rio de Janeiro antes de Caetano e Gil, e era parceiro de Oiticica, não tinha como Caetano não saber da exposição de Hélio Oiticica, que causou grande repercusão na Guanabara. Hélio Oiticica fez o penetrável Tropicália, que não só inspirou o nome, mas também ajudou a consolidar uma estética do movimento tropicalista na música brasileira. Oiticica o chamava de "primeiríssima tentativa consciente de impor uma imagem 'brasileira' ao contexto da vanguarda. Ficou famoso o seu Bólide em homenagem ao bandido "Cara de Cavalo", seu amigo, com a frase "Seja marginal, seja herói".

SÉRGIO SIQUEIRA – Tem gente que fala em coincidência, também acho que o nome partiu daí, de Hélio. Vamos nessa, agradecemos o bom debate e essa página é para ouvir as histórias de quem participou e esteve por perto. (...) Tem até uma história no livro de Mariza Alvarez de Lima que fala que, numa festa na casa de Helio Oiticica, onde estavam muitas celebridades, Cara de cavalo estaria escondido num dos quartos da casa.

Roberto Torres – Falo isso por que fui genro de Roberto Pires e amigo de Rogério Duarte, sobre quem escrevi o argumento, o roteiro e fiz assistência de direção do documentário "O Tropikaoslista. Acho que estive bem perto. (...) Lembremo-nos também de José Celso Martinez Correia e o seu maravilhoso espetáculo O Rei da Vela, de 1967, pré-tropicalismo musical, mas já tropicalista. Não esqueçamos, também, da revolucionária artista plástica Lygia Pape e dos poetas concretistas como Décio Pignatari, que em 1957 escreveu o poema Beba Coca-Cola. No meu entender, é desses caras que vem a Tropicália, não de Edgard Santos. Por fim, reconheço o valor de Edgard Santos, porém não o mitifico como um totém cultural que tirou a Bahia das trevas da ignorância.

SÉRGIO SIQUEIRA – Roberto Torres, Edgard Santos plantou a semente necessária para que a Bahia se tornasse culturalmente pulsante.

Roberto Torres – Por isso reconheço o valor que ele teve nesse período.

Banda do Companheiro Mágico, última formação, show no Solar do Unhão 1976, com ambientação de Gilson Rodrigues. Com Toni Costa, Ary Dias e Beka, Guilherme Maia no baixo

Anos Setenta Bahia – Ainda temos muitas histórias para contar.

Artur Carmel – Conheci o ICBA lá pelos idos de 77... E como bem disse Sérgio Siqueira, o local, além de todas suas atrações – gente bacana, principalmente –, era por onde 'se começava a noite'. Sim, era ali onde sabíamos das festas mais bacanas da cidade, e outros eventos. Depois, por muito tempo, o cinema do ICBA também foi referência na cidade.

Roberto Torres – Agora, quanto ao ICBA, reconheço o trabalho de Roland Schaffner. Além de tudo o que foi dito, foi ele quem deu apoio ao grupo Sangue e Raça, formado por Roberto Mendes, Raimundo Sodré e Beuza. Que tinha ainda Jorge Portugal como letrista. Assisti, em 1976, "Recon-Sertão" o primeiro show do grupo, encenado no pátio do ICBA.

Octavio Americo – Em 1975 "moramos" lá... rs.

Intercena: Suki VB, Tereza Oliveira, Afonso Correa, Conga, Sérgio Souto...

Liliana Peixinho – Icba final dos anos 70 e anos 80, pra sempre, em nossas vidas.

Virgínia Miranda – Vivia no icba... Lá serviam vinho em copos.... Adorava!!! Kkkkk... Lá ouvia os LPs mais incríveis, fone no ouvido, qualidade do som incrível e intermináveis discos do melhor jazz progressivo!!! Lá, as melhores montangens teatrais, Brecht só lá! Fui assessora de imorensa do clube de cinema durante algum tempo, o prazer de trabalhar com Guido, um batalhador a favor do curta metragem, lá nos misturávamos todos.... uma farra cultural inesquecível, nunca vivi nada igual!!! E tudo sob a direção de Schaffener(nem sei se é assim que se escreve...) e seu território protegido dos duros tempos!!!

Margarita Gaudenz – Um grande agradecimento a Roland Schaffner

Isabela Larangeira – Caetano não conhecia a obra de Hélio Oiticica quando fez o disco-marco do Tropicalismo e, segundo o cantor, quem sugeriu o nome da obra de Oiticica foi Barretão. Oiticica foi consultado, conheceu o trabalho dos novatos, amou e cedeu o nome. Caetano declarou que o elemento detonador de tudo, absolutamente tudo, foi "Terra em Transe", de Glauber Rocha. Mas a melhor explicação é a de Tom Zé, quando fala que a mistura do lixo do hipotálamo com o córtex dos baianos foi tudo para o movimento.

Anos Setenta Bahia – Uma grande história, como é bom juntar os cacos e de muitos cacos tudo vai pintando.

Veruska Araponga – Nesse templo ia muito com meu namorido Flexa (dançarino do Olodumaré). Dizem até que fui a primeira "branca" a assumir de verdade um negro. Só que nunca tive esses atrasos de vida, preto, branco, amarelo, gringo, nunca liguei. Se olhasse e gostsse... só não curtia muito pobreza de espírito. Saudades do negão, lindo, doce, corpo escultural – e como dançava e tocava timbau! "Vi tanta areia, andei na lua cheia, eu sei, uma saudade imensa (primeira música que ele cantou e tocou para mim na Micareta de Feira).

Miriam Braz Mirinha Braz – Outra figura da década de setenta foi Mário Gusmão, "O anjo negro"... ele passava uma tranquilidade para as pessoas. Um grande artista, que não foi reconhecido. Foi preso e esquecido.

Antonio Jorge Moura – Vivi a efervescência do ICBA entre o final dos anos 60 e começo dos 70, período de retomada do movimento estudantil no Central e quando quando ingressei na Faculdade de Economia da Ufba. Só me afastei do instituto depois de iniciar a trajetória jornalística, na Tribuna da Bahia e depois no Jornal da Bahia!

Dóris Abreu – Frequentei muito o ICBA nos anos 60 e 70. Schaffner foi um cara fantástico, trouxe coisas maravilhosas e abrigou no ICBA ‘n’ grupos e artistas em inicio de carreira. Fiz cursos, assisti a shows fantásticos, peças teatrais de vanguarda, palestras fantásticas e exposições.

Guido Lima – Por incrível que pareça, a gente estava em plena ditadura militar, mas foi o momento da mais alta criatividade no campo artístico. O ICBA me deu a oportunidade de apresentar espetáculos infantis junto com Deolindo Checcucci e muitas outras experiências com outros artistas. Os festivais de Super 8, as exposições de artes plásticas, as bandas e as reuniões espontâneas que aconteciam todas as noites, com dezenas de artistas de todas as áreas, era o melhor de tudo. O Teatro Vila Velha e o ICBA foram os grandes pontos de encontro e de grandes acontecimentos da arte baiana do final dos anos 60 e dos anos 70 na Bahia e no Brasil. Depois disso veio a decadência e o cansaço cultural. A arte e as pessoas envelheceram e nada de novo surgiu, a televisão vem ditando as regras e a memória dos novos é muito curta, não sabem de tudo que já foi experimentado e nem conhecem os protagonistas dessa história. Fica aqui a minha homenagem para alguns personagens dessa época: Nonato Freyre, Silvio Robatto, Lia Robatto, Silvio Varjão. Deolindo Checcucci, Marquinho Rebu, Osmar Marron, Benvindo Sequeira, Mario Gusmão, Sergio Souto, Maria Eugênia Millet, Paulo Barata, Tereza Oliveira, João Delaguila e muitos outros que eram frequentadores e fizeram as suas artes no ICBA.

Silvio Palmeira – Minha ligação com o ICBA foi no inicio de 70: ia muito lá ver os filmes de Werner Herzog, Fritz Lang e Fassbinder, entre outros, e adorava aquele clima, aquela cantina – e também morava ao lado, no ed. Guilhermina, Campo Grande. O ICBA começava a dar força à cena local de música, teatro, cinema. Em 73, ainda fazendo o vocal do Mar Revolto, procurei dr. Roland Schaffner e pedi para fazer uns shows e ser abrigado no ICBA, no que fui prontamente atendido – e iniciamos uma série de shows na casa. Fiz o meu ultimo show com Mar Revolto lá, em seguida pudemos ensaiar, guardar equipamentos, virou o nosso QG. Entre 73 e 75, primeiramente fizemos uma série de shows no teatro, o público foi aumentando, aumentando ao ponto de uma multidão quebrar as portas de vidro. Schaffner então gritou: "Estão quebrando minha ICBA!" Nos relocou para o Jardim, a essa altura o ICBA já não comportava mais os nossos shows, fizemos ainda umas três apresentações e tivemos que nos mudar definitivamente para a Concha Acústica. Por lá tinha uma turma boa, o iniciante João Américo na sonorização, na iluminação o Raul, um peruano, eu acho, entre outros. Em 75 o ICBA foi invadido pela Policia Federal e ficou um tempo fechado, e o grande mecenas Schaffner foi transferido acho que para São Paulo, pondo um ponto final nas atividades culturais do ICBA. Vi também muitos bons show lá com a Banda do Companheiro Mágico, Butuca, Volker Kriegel e Mild Maniac Orchestra, um super grupo de jazz alemão, Era Encarnação, Cremes, entre vários outros.

Tuninho Borges Borges – Samba Papelo, espetáculo de dança com Clyde Morgan e Mário Gusmão.

Cristina Sá – O ICBA era incrível, um grande centro cultural de vanguarda! Lá fiz alguns cursos, como um de dança com Carla Leite, delicioso! Assisti a muitos espetáculos marcantes e importantes na minha formação cultural, nas mais diversas áreas – dança, música, teatro, artes plásticas, exposições maravilhosas, palestras, encontros, seminários, além de desfrutar do bar e do social com encontros de amigos! Realmente o ICBA marcou minha vida! Deixou saudade!

Mario Peixoto – Quero acrescentar a este arquivo do ICBA o espetáculo Revira e volta Travolta, produzido por este que vos fala, em sociedade com Silvio Palmeira e Nonato Freire. A montagem rock teatral foi realizada com o ator e cantor Nonato Freire e o fantástico grupo de rock Mar Revolto. Saudades do ICBA, esse maravilhoso espaço a serviço da cultura.

Milton Macêdo – Inesquecíveis anos 70, o ICBA território "quase" livre da enigmática censura federal. Lá não havia censura mas eu, Deolindo Checcucci, Nonato Freire e Sílvio Varjão preparamos uma peça que seria encenada naquele teatro e, exatamente na estréia, todo mundo no portão, aquela expectativa e de repente chega o censor proibindo a apresentação, definitivamente censurada. Em compensação inauguramos, eu e você, Tereza Oliveira (protagonista e antagonista), aquele palco com a peça infantil Julinho contra a bruxa do espaço, de Deolindo Checucci, e logo a seguir, com direção de João das Neves, foi montada Um homem é um homem, de Bertolt Brecht.

Tereza Oliveira – Bons tempos. Mais histórias dos Anos Setenta Bahia. O ICBaA foi nossa primeira casa de espetáculo para dança experimental. Lá montamos muitos espetáculos com o Intercena. Depois das aulas e dos ensaios, era difícil ir para casa. Tinha sabor de quero mais. De fique aqui. De aqui é um espaço sedutor. Desde as conversas com seu Joel, o carpinteiro cênico local. Um talento especial e as especiarias servidas no bar. Uma biblioteca com assuntos que naquele momento o sentido era de curiosidade mas que, hoje, faz toda a diferença. Realmente Roland Schaffner. Heloísa Andrade e Carmen Paternostro.

Guido Araújo – E todos os frequentadores deram sabor estilo chef de cuisine àquele espaço.

Era Lacerda Encarnação – Sergio Siqueira, o show de Jorge Alfredo mencionado no texto intitulava-se Salve o prazer. Era um trabalho em grupo, composto por mim, Jorge Alfredo, Armandinho e Beto Macedo. Esta era a base, com participações especialíssimas de Ary Dias, Sérgio Souto, Jaime Sodré (se não me engano) e Alberto Som.

Anos Setenta Bahia – Foi um show maravilhoso, pulsação pura.

Era Lacerda Encarnação – Foi resultado de um trabalho quase que diário na casa de Armandinho Macêdo, na Ribeira. Depois nos apresentamos com esse show na Feira da Bahia, em São Paulo. Respirávamos música quando havia um movimento cultural de alto nível em Salvador, e o admirável Roland Schaffner foi peça fundamental nesse processo. Ave, Schaffner!!!


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