Anos 70 Bahia – Episódio 27
No tempo em que eram de barro avenidas hoje engarrafadas e Piatã, Patamares e Boca do Rio não passavam de chácaras, o Stella Maris
quase não tinha casas e Arembepe atraía viageiros de todo o planeta, desfilavam
nas ruas de Salvador personagens amadianos, cujas histórias de vida dariam para
inspirar romances e figurar em filmes. Permanecem no imaginário coletivo de
quem viveu os anos 70 figuras icônicas como Floripes, a Mulher de Roxo,
Peteleca, o mágico Christoff e o guarda Pelé. A lista não para aí,
personalidades singulares como Severiano, o mendigo-aristocrata
Veras, o timbaleiro Fialuna e tantos outros traduziam a aura multicultural da
“cidade da Bahia”, tal como era chamada por Jorge Amado a primeira capital.
SÉRGIO SIQUEIRA – Floripes passeava pela
Rua Chile cantando, sempre enfeitado com muitas fitas coloridas na cabeça e seu
andar em cima de tamancas era um rebolado só. Seu nome de batismo era Benito
Matos e morreu em 1984, vítima do soco violento de um biscateiro no Mercado de
São Miguel.
LÍGIA AGUIAR – Floripes, um dos
personagens que habitavam o Pelourinho, não dispensava um galho de arruda atrás
da orelha. Era o seu amuleto.
Floripes - foto Antonio Neto
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EURICO
DE JESUS – Quando ele passava rebolando e cantando, vestido com roupas
coloridas e extravagantes a molecada irreverente gritava: "Floripes
viado!" Elegantemente ele seguia, caminhando lentamente e, muitos metros
na frente e algum tempo depois, pacientemente, ele parava, olhava para trás,
suspirava, revirava os olhos, colocava as mãos nas cadeiras e respondia com voz
de homem estirando as vogais: "SÓÓÓ NAAA BAAAHIIIAAAAAAAA!" O povo na
rua explodia em risos e aplausos, atrapalhando o trânsito. Um verdadeiro teatro
neorrealista soteropolitano nos confins dos belos trópicos utópicos!
JOVIANO PINHEIRO DE MOURA NETO – Tinha
também, lá pelo Porto da Barra, um cara chamado Severiano, que cortava cabelo
com navalha (Solinger) e que diziam ser hábil não só com cabelos. Capoerista
famoso daquelas épocas, trajava sempre "camisa de seda pura" para
evitar ser cortado na luta. Naquela época, ninguém colocava em pauta a sua
masculinidade. Eu fui embora para o Rio e, quando voltei, ninguém mais sabia
dele. Você lembra, Anos Setenta Bahia?
ANOS SETENTA BAHIA – Salão Oxalá, no
Porto da Barra. Na entrada havia um peji de Santa Bárbara. Ele tinha também um
sítio na Estrada Velha do Aeroporto, onde colecionava carros velhos, um
incrível cemitério de automóveis.
ARTHUR DAZZANI – Cabe lembrar do mágico
Christoff, aquele velhinho de cartola que tirava passarinho da boca. Com seu
paletó e um ajudante, vivia circulando na Barra.
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| Mágico Christoff - foto Antonio Neto |
JOVIANO PINHEIRO DE MOURA NETO – Sim!
aquele que usava cartola e um paletó preto, tipo fraque, e que tirava papel
colorido da guela pela boca... Este? Se for, eu o conheci bem antes de 1970,
acredito lá pelos anos sessenta, quando morava na Mouraria. Ele fazia
peregrinação pela ruas da cidade. Sumiu! Escafedeu-se, se foi – deveria estar
hoje com mais de cem anos.
SÉRGIO SIQUEIRA – Christoff, Mulher de
Roxo, Severiano, Peteleca... personagens que circulavam pela Salvador 70.
Peteleca ainda está viva, mora no Politeama e gosta de contar seus causos a
quem aparece. A mulher de Roxo terminou seus dias no hospital Irmã Dulce.
Encontrei-a sem o seu tradicional manto roxo, quando fiz uma visita ao
hospital. Ela apareceu por lá para se tratar e acabou ficando até o fim de seus
dias. Já não era a mulher de roxo, era apenas Florinda – e seu mistério nunca
foi desvendado.
ANOS SETENTA BAHIA – A história mais
antiga relata que ela apareceu em meados dos anos 60 na porta do Buraco Doce,
famoso bordel da rua Gregório de Mattos, no Pelourinho, trajando roupas finas e
usando joias. Consta que era muito bonita. Ela ficou por lá pouco tempo,
convivendo com todo tipo de gente, mantendo, contudo, seu ar de superioridade.
“Parecia estar estudando o ambiente, acostumando-se com a diversidade cultural
e antropológica da região”. Essa é a pista mais próxima da origem da mulher de
roxo, revelada no livro “Mulher de Roxo: retrato de um mito”, da jornalista
Patricia Sá Moura. Na sua pesquisa, Patrícia pondera que a referência à origem
poderia estar nos registros do albergue que a personagem frequentou, quando
cansou das ruas, mas as águas levaram tudo: "O pessoal do Albergue até fez
uma ficha com os dados da nova inquilina, que ficou arquivada na administração
do local. Mas um ano depois, em 1978, um forte temporal derrubou os muros,
inundou a casa toda e destruiu vários documentos, inclusive os rastros da
verdadeira história da mulher de roxo...” O livro de Patrícia revela ainda que,
quando chegou no Albergue, a Dama de Roxo carregava consigo fotos e documentos.
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| Mulher de Roxo - foto de Antonio Neto |
ALVINHO GUIMARÃES – Eu conhecia ela como
Marta Roxa. Acho esse nome fantástico. Assim ela reinava sua beleza na
passarela da cidade. É a verdadeira e única rainha que já vi. (Comentário no
Jornal "O Verbo”, em 1971).
MARÍLIA MATTOS – O nome é uma
brincadeira com Marta Rocha.
LíGIA AGUIAR – Ela tratava muito bem a
minha mãe e a minha irmã mais velha. Ia todos os dias no cartório da família
para ganhar uns trocados, e gentilmente dizia: “Boa tarde minha professora, me
dá um dinheiro!”
RAFAEL SESSENTA – Tentei fazer um curta
com ela, o máximo que consegui foi um ‘making off’. O fotógrafo foi Marcos ou
Sérgio Maciel.
EVA FIDELIS – Eu tinha medo, por causa
do cabelo dela. Era um rasta bem grosso por baixo do lenço roxo. Eu adorava ir
na Sloper e nas Duas Américas andar na escada rolante. Quando minha mãe estava
com pressa e não queria ir lá, ela dizia: “Hoje não, a mulher de roxo está lá!”
FERNANDO NOY – Me disseram que ela era
russa de origem e que namorava um guapo negro baiano que veio dar nestas
terras. Não aceitava esmola em moedas, somente dinheiro.
Rita Pereira
Silva – Florinda, a Mulher
de Roxo, estava à míngua nas ruas quando foi socorrida por Maria Conceição, uma
frequentadora do Centro Espírita Casa de Petintinga, que a levou para o
Hospital de Irmã Dulce, onde veio a falecer um tempo depois.
Sonia Regina Caldas – Maravilha! E Seboso, ou Roberto
Carlos, aquela figura branquela com os cabelos longos ondulados cheios de
brilhantina com as unhas enormes – não podia ver uma gatinha que ele beliscava!
Vivia andando entre rua Chile, edifício Fundação Politécnica e Avenida Sete até
a Praça da Sé, onde pegávamos ônibus! Cansei de ser beliscada na saída do curso
de inglês do IEC, no edif. Politécnica, quando era aluna de Raulzito ou Raul
Seixas!
Júlio Moura – Ele era muito falador, contava muita
vantagem amorosa, dizia que tinha umas 300 namoradas! Lá nos anos de 67 ou 68 ele
frequentava a praça da Piedade para papear com os amigos e sempre encontrávamos
Roberto Carlos, ríamos bastantes com seus casos de amor!
ANOS SETENTA – São muitas histórias e
você com sorte podia se bater com todos esses personagens de uma única vez.
Peteleca reinava na noite do Centro e fez a alegria da rapaziada, iniciando
muita gente nos segredos do sexo.
BEG FIGUEIREDO – Dizem que Peteleca fez
sexo com um artista famoso e o pagamento foi em cheque. Em vez de descontar,
ela mandou emoldurar.
ZECCA DE AFFONSO – (...) Lá pelo final
dos anos 60, início dos 70, Peteleca, então uma prostituta vistosa, no que pese
a pouca altura, fazia “trottoir” na rua Carlos Gomes, andando nos passeios até
as imediações da rua Faísca, à espera de que algum motorista parasse e
perguntasse o preço do programa, para garantir o café da manhã e o almoço do
dia seguinte. Peteleca, nome herdado de uma onça que fugiu do zoológico de
Salvador, agora está velhinha, enrugada, e de onça virou uma arara com a
historia do “putódromo” [vereadora de Camaçari propôs isolar as prostitutas da
cidade num espaço que batizou de “putódromo”]. A velhinha conta histórias da
sua época de prostituta de rua. Tem boa memória. Sabe o nome dos seus antigos
clientes de cor e salteado. Principalmente aqueles que, na época, eram
estudantes universitários e se transformaram em doutores renomados. Antes de
desancar a vereadora, Peteleca contou que tinha vontade de fazer com ela o que
seu cliente da época em que era “quase moça”, depois de sair para um programa
num belo fusca, deixou-a de volta na Carlos Gomes, onde a encontrara. Mas,
arrependido, voltou e a enfiou de cabeça para baixo num tonel de lixo. Peteleca
não se aborreceu a não ser pelo fato de seus caniços ficarem para cima,
balançando, e a cabeça para baixo enfiada no lixo do tonel. O cliente fez por
brincadeira. Deu uma volta na Avenida Sete, voltou à Carlos Gomes, tirou-a do
tonel e lhe deu ainda uma gorjeta. Peteleca se apaixonou pelo rapaz que,
segundo ela, era “um lourão bonito, que virou doutor dos grandes”. A velhinha
tem computador, e-mail e se corresponde. (Trecho da crônica: “O
Putódromo", publicada no Jornal impresso do Bahia Notícias, em 24 de
agosto de 2007 – ver em http://www.bahianoticias.com.br/app/imprime.php).
SÉRGIO SIQUEIRA – Outro personagem é o guarda
Pelé. Era um espetáculo ele orientando o trânsito, com coreografia própria, só
possível de se ver na Bahia.
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| Guarda Pelé - foto Valdir Costa |
ROSMARI SANTOS – Ele adorava sair no
bloco de carnaval "Lá vem elas". Era o nosso homem na linha de
frente. Inesquecível a sua performance. Atuava com inteira liberdade e por
conta própria, interpretando o seu papel, com criações de sua própria autoria.
CLAUDIO CESAR LEMOS – Quando menino, eu
e meus primos ficávamos horas apreciando o trabalho de Pelé. Foi convidado para
ir a São Paulo e acabou com um engarrafamento em duas das principais avenidas
da cidade. Bom rever essa figura que fez parte da minha infância.
BEG FIGUEIREDO – Assistir uma
performance do guarda Pelé, na rua Chile, era o máximo! Ele brocava.
Claudio Portugal – Outra figura era João de Deus,
conhecido como João da Lambreta... figura ímpar, especializado em aplicar
injeções... foi o primeiro e, talvez, único a prestar este tipo de serviço de
casa em casa, chegando sempre com sua lambreta... acredito que quase todas as
famílias utilizaram seus serviços, numa época em que as farmácias o ofereciam.
Era o terror das crianças... e quando ele passava em sua lambreta, todo mundo apontava:
“Lá vai João da Lambreta!”
Cristina Sá – Deliciosas lembranças de
personagens inesquecíveis da nossa cidade!
LULA AFONSO – Quem frequentava a barraca
de Juvená nas festas de largo, frequentada por um mix de estudantes,
intelectuais, turistas e populares, ficava de queixo caído com as performances
eletrizantes de Fialuna. Muita gente ficava à espera, e como valia! Depois de
molhar a garganta, ele subia no banquinho para ficar à altura do seu enorme
timbau, altar onde se deixava possuir por um transe rítmico. Baixinho no nível
da terra, lá no alto ele reinava, criava frenesi na massa, misturando hits
internacionais (traduzidos para um curioso dialeto próprio) com sambas de roda
e batidas de candomblé, com técnica apurada e estonteante pulsação. Mais tarde
foi adotado como destaque por Carlinhos Brown.
Geraldo Dias – Conheci todos esses magníficos
personagens, grandes figuras, que faziam de Salvador uma cidade mais alegre e
solidária! Parte do nosso convívio cotidiano soteropolitano, principalmente nos
moradores do centro da cidade – Rua Tuiuiti, Largo 2 de Julho, Aflitos e
adjacências! Quem pode escrever sobre Germano, veterano de guerra? Ele calçava
várias meias para seus pés se acomodarem nos sapatos (vários números maiores)
que recebia de presente! Trajando sempre terno – e fazia mágica!
Claudio Portugal – Walter Smetack, outro motorizado
marcante nas ruas de Salvador, conhecido por ser um excêntrico gringo que
circulava numa velha moto Indian. Todo mundo o reconhecia ao vê-lo circulando
em sua ruidosa moto, numa época em que elas praticamente não existiam aqui em
Salvador. Alguns comentavam vagamente que era um músico de orquestra... Sua
grandeza musical só veio a ser reconhecida após ser celebrado por Caetano
Veloso como um grande construtor e alquimista do som.
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| Walter Smetack |
Manfred Muss –
Havia também um personagem muito marcante, mas que ninguém cita, e, acredito,
os transeuntes do Largo da Mariquita dos anos 80 não podem esquecer... Não
possuia nome conhecido, mas por anos, passava o dia gritando coisa nenhuma,
gritava o tempo todo, todos os dias...
LULA AFONSO – O personagem citado por Manfred
Muss lembra uma figura que fazia discurso todas as tardes no bar da esquina próxima
a Dinha do acarajé, em pleno Largo de Santana. Às vezes juntava gente pra ver,
mas a moçada da área – inclusive os que bebiam no bar, que o ignoravam – já
estava acostumada. Pelas cinco da tarde ele se posicionava na esquina e
começava o discurso ininteligível, em tom alto, monocórdio e algo vociferante,
como um locutor de rádio AM transmitindo notícias importantes, com uma mão em
concha no ouvido e a outra gesticulando. Dizem que, fora da “hora da loucura”,
ele se comportava quase normal, com seu físico comum e roupas triviais.
Claudio Portugal – Esse que se vestia de soldado no
Largo Dois de Julho, também me lembro... Nunca mais soube dele... Também temos,
ainda hoje circulando por Salvador, o grande mendigo Samuel, ou melhor, Samuca,
que nunca vi pedir nada a ninguém. Andava pelas bandas de Ondina, tirando uma
de guarda de trânsito nos meus tempos de estudante do Instituto Social, há 45
anos – e era quase a mesma figura que ainda hoje circula ao redor da igreja da
Graça e na Barra Avenida... Outra figura emblemática e enigmática é o gigante
(não sei o nome) do Rio Vermelho, que lembra muito a figura de Lotar,
companheiro do Mandrake, só que com uma indumentária própria: coturno e
roupagem cheia de medalhas e correntões... não sai da pracinha da Cia. da Pizza,
é uma espécie de segurança amistoso e respeitador de todos ali no pedaço, inclusive
dos guardadores de veículos... rsrs...
Beg Figueiredo – Ô Portugal, o gigante Lotar a que
você se refere é o Maloca. Ele continua fazendo segurança para o AugoBom (misto
de chinês e japonês) e para a Borracharia. É um homem de bem!
Claudio Portugal – Pois é, Beg! Ele mesmo... figura
imponente e doce ao mesmo tempo!
Octavio Americo – Samuca continua circulando pela
rua Professor Sabino Silva e adjacências.
Fernando Moraes – Sandoval, o rei da noite, dono
do Varandá. Figura central da vida noturna de uma Salvador que não existe mais.
Em sua lápide, localizada no Campo Santo, está escrito um dos mais bem bolados
epitáfios: "Aqui jaz Sandoval, que pela primeira vez na vida dorme
só". Genial.
Alexandre Amaral Fagury – Se não me engano, após a saída
dele o bar na Amaralina virou New Freds, não é, Fernando Moraes?
Fernando Moraes – Foi isso mesmo... e desafio
qualquer um aqui que conheceu e frequentou o bar Acapulco, que existia no IAPI,
a provar que bebeu apenas três doses da cachaça criada pelo dono do
estabelecimento, batizada de “Adeus meu pai”. Alguém lembra do Acapulco?
Sergio Siqueira – Tinha também Bombeirão, um pouco
menos famosa que Peteleca, mas muito maior em tamanho, tinha quase 1,90m. Todos
esses personagens faziam a história de Salvador e tornavam a cidade mais
humana, muito menos apressada. As crianças, em vez dos jogos eletrônicos,
vibravam com as mágicas de Christoff.
Tuzé de Abreu – Não esqueçam Irênio, talvez o menor anão do mundo. Ele
foi auxilar do alfaiate Spinelli, pai da compositora católica Nairzinha, depois
virou porteiro do Baby Beef. Há uma história engraçada de meu filho João Abreu
com ele. João tinha cerca de três anos de idade, e fomos (Greice, ele e eu)
almoçar no Baby Beef. Quando chegamos, João ficou espantadíssimo por ver alguém
daquele tamanho usando paletó e gravata.
Alexandre Amaral Fagury – Tuzé de Abreu,
tem uma mais engraçada: certa feita cheguei com uma galera no Baby Beef, não
sabia que o anão tinha essa história, mas sabia que ele era pessoa que o seo Mamede
gostava e tinha por ele enorme carinho... mas, voltando, chegamos numa turma
grande e alguém da galera disse que iria colocar o anão
na piscina.... Bem, colocaram o anão no aquário que existia na porta de entrada
do Baby Beef, lembra? Pegaram ele, carregaram e o jogaram dentro da
"piscina". Essa história foi hilária, ele ficou indignado, mas ria
quando íamos lá. Grande figura, o anão.
Sergio Guedes – Conheci muito. Tinha medo dele!
Gilson Trindade Santos – Esse anão trabalhou no programa
de calouros "Céu ou Inferno", da TV baiana nos anos 1960.
Claudio Portugal – Falar em anão, havia também o anão
do Bahia... alegrava a galera na Fonte Nova... era surdo-mudo e andava pelo
Comércio e Mercado Modelo... só vivia pedindo dinheiro! E, claro, Lourinho, o chefe
da torcida tricolor!
Alexandre Amaral Fagury – Permitam algumas correções, que
vou postando uma a uma para que possam entender e acompanhar.
Anos Setenta Bahia – Toda!
Alexandre Amaral Fagury – (1) O mágico Christopher ou
Andrake, como queiram, morava na Boca do Rio. A menina que vivia com ele para
baixo e para cima era sua neta; inúmeras vezes conversei com ele no ônibus e
explico no próximo post uma outra correção. (2) O ônibus era o de itapuã ou o do aeroporto, como pode
confirmar o nosso amigo Elsior Lapo Coutinho, cujo avô tem enorme significado e
relevância para itapuã. A estrada que ligava a Base Aérea de Salvador ao centro
da cidade passava por Itapuã, foi asfaltada em 1953. Então, para vir até
itapuã não era barro. O barro de Arembepe persistiu até a década de 60: nos
fins dela, foi asfaltada a estrada até metade do caminho, sendo concluído o
restante – até Arembepe – no começo dos 70.
Elsior Lapo Coutinho – Antes dos ônibus, nos veraneios
só existia um transporte chamado “a loba”, que vinha uma vez por dia de Itapagipe
a Itapuã pela Estrada Velha, contam os dinossauros... aloha!
Alexandre Amaral Fagury – Continuando as correções: (3) a Dama
de Roxo é alvo de um livro recentemente publicado pela Assembléia Legislativa da Bahia, onde todo o segredo dela é desvendado.
Na realidade, trata-se de uma série de publicações que tem o guarda Pelé também
como alvo, além de Batatinha e muitos outros personagens, sendo a coleção
chamada “Personagens da Bahia”. (4)
Carlinhos Brown tem uma enorme identificação com Fialuna, mas adota o modelo de
Mestre Pintado do Bongô do qual, para muitos que não sabem, as pinturas que a Timbalada
usa têm origem, já que Pintado só se apresentava assim, pintado... e em
homenagem ao mestre, Brown incluiu no visual da Timbalada a pintura dos membros
da equipe percussiva.
Sergio Siqueira – A pintura da Timbalada surgiu em
1993, no famoso show "Soltando os cachorros", na área verde do Othon
(projeto Pôr do Sol). Nesse show, os mestres Pintado e Fialuna entrariam de
paleto de linho branco. Faltando meia hora para começar, o paletó de Pintado
não apareceu, extraviou-se... então, Ricardo Bittencourt, diretor do show, deu
a ideia: “vamos pintar Pintado e Ray Viana!” E assim fez. Eu era o curador do
projeto e esse show, que contou com a participação de Caetano, Gil, Jorge
Benjor, Nando Reis e Leo Gandelman lançou a Timbalada e foi considerado um dos
maiores encontros musicais da MPB. Isso aconteceu em 31 de janeiro de 1993.
Alexandre Amaral Fagury – Esse show foi na Mansão do Rio Vermelho,
não? Onde ficam hoje o hotel Ibis e o Mercure, eu estava lá. Ray era o cara que
fazia tudo da produção visual da Timbalada e, também, a produtora a carioca- baiana
Paula Resende.
Sergio Siqueira – Foi no Othon o primeiro show de
palco, no verão de 92, que eles fizeram uns ensaios pagos nessa casa. A partir
da pintura de Pintado, em 93, a Timbalada aderiu e no carnaval de 94 todos
saíram pintados. Antes, os timbaleiros usavam camisas com a escrita “Timbalada”.
Alexandre Amaral Fagury – Sergio Siqueira, eu os vi pintados já na mansão.
Caetano, Gil, Leo Gandelman e tantos e tantos mais ídolos da MPB eram figuras
frequentes naqueles ensaios. Lembro de Joyce Pascovitch no mesmo dia a que você
se refere... mas, para mim, teria sido na mansão.... enfim, estou com 53, posso
errar também... kkkkkkkkk... mas, tenho certeza que isso tudo foi na mansão...
Sergio Siqueira – Você está enganado, tenho as
fotos e o filme da grande estreia, todos com camisas. A pintura veio com o
esquecimento do paletó de Pintado – os mestres tinham grande influência sobre
Brown. Pintado, além da influência musical, funcionava como um orientador. Esse
show do Othon foi um marco e foi o lançamento da Timbalada no mercado. Tenho o
vídeo. Houve uma curiosidade: o show foi aberto por um cachorro, Ralf. Pela
primeira vez no Brasil, um cachorro abriu um show. O produtor era Cícero
Menezes, Paula veio depois.
Alexandre Amaral Fagury – Cícero, grande figura... depois
de algum tempo, foi para as meninas, com Wesley Rangel. Grande Cicinho, você está
certo.
Sergio Siqueira – Exato. Depois vieram as mesmas
com ele.
Gilson Trindade – Santos mestres
Bimba e Pastinha.
Claudio Portugal – Esses aí eram mitos e ícones...
mas não figuras populares que chamassem atenção e fossem reconhecidos por onde
passavam.
Patricia Moura – Grata pela referência a essa
figura lendária que é a Mulher de Roxo, e ao livro que tive a honra de
escrever!
Anos Setenta Bahia – Muito bom, você a imortalizou. Parabéns!
Arthur Ghuma –
Falta a irmã de Tia Cota, da Escola de Teatro, que saía com um monte de flores
de papel para entregar aos clientes da tia, na Barra, Vitória e Graça.
Marcelo Dória – Oleone Coelho Fontes escreveu um
livro sobre a Rua Chile, interessante ver os personagens que transitavam por
ali.
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| Foto colhida em postagem de Igor Coelho |







Do Tempo , Que Eramos Felizes...E Sabiamos Disto !!!
ResponderExcluirVerdade, a estimativa de vida eram de 45 anos, não tinha vacina e remédios para muitas doenças, fazer o que, né?!
ExcluirSeveriano era o gay mais porradeiro do porto da Barra. eu menino, morava na tenente Pires ferreira travessa da ladeira, vi muitas brigas dele como Jones que era um negão massagista do Bahia que tb era gay. outro lugar que eu brinquei muito foi no Cemitério dos Ingleses em frente ao morro dos Marianis. minha mãe era muito amiga da Lalá e Helena que moravam no cemitério. era a vista mais linda da bahia de Todos os Santos e as pitangas eram muito massa..
ResponderExcluirtomei muita injeção com João de Deus. ele morava na minha rua a Tenente Pires ferreira travessa da ladeira da Barra
ResponderExcluirClaudio Portugal foi um dos meus amigos do peito nos anos 70 em salvador.
ResponderExcluirHoje peteleca é cafetina, atua no largo 2 de julho agenciando belas mulheres de 18 a 50 anos. Vale a pena bater um papo com ela sobre o passado.
ResponderExcluirTinha um senhor calvo em frente da antiga casa Moreira na ladeira da praça sempre de paletó e gravata apitando desobstruindo o tráfego de veículos😂😁😁
ResponderExcluirVcs esqueceram de china trabalhei la , e do holiday de pedro gadas que tinha um mineiro com o dedo apontador torto trabalhei la como porteiro e tcnico de som. E do balbino do rojão um escuro alto e dizia , minha gravata so levanta com tesão
ResponderExcluirAlguém chegou a conhecer SABOROSA??? Ela vivia beranbulando pelas ruas de Salvador, Barbalho, Liberdade, Nazaré. Carregava sempre uma garrafa de cachaça (a Saborosa) por aí vinha seu apelido. Gostaria de ver se alguém tem a foto dela
ResponderExcluirEu amei a matéria
ResponderExcluirVivi e conheci muitos deles.
Nossa, por essa eu não esperava. Voltei ao passado. Minha infância foi no Centro.
ResponderExcluirFantástico. Vivi parte dessa história. Os espiritualistas afirmam que a mulher de Rôxo foi, em encarnações passadas, uma importantíssima rainha de um império.
ResponderExcluirHugo Luna.
A vida tem dessas coisas mas o destino nos surpreende
ResponderExcluirConheci o fialuna o timbaleiro ele era técnico do time que jogava num campinho que ficava ao lado do campo da Graça chamado de Bariri . Eu joguei no time dele . As camisas eram do Bahia que ele conseguiu velhas rasgadas e desbotadas .
ResponderExcluirGostaria de conhecer a história da dama de roxo
ResponderExcluirConhecí alguns personagens irônicos da Bahia!
ResponderExcluirSensacional a reportagem!
Show, muito legal, lembro de alguns desses ilustríssimos personagens
ResponderExcluirQue maravilha de lembranças
ResponderExcluirMorei no Tororó trabalhei no comércio,conheci e conversei com a mulher de roxo voz fina e pausada,vi por diversas vezes Floripes presenciando os três jeitos dele mas era porradeiro e sabia jogar navalha muito bem.
O mágico cada vez mais velhinho deixava perceber já coitadinho tremendo a porca que saía da cartola e não do nariz.
Final da década de 60 conheci mestre cangiquinha cego num pequeno quarto no Pelourinho.
Sou Nelito 68 anos curti tudo da década de 70 uma maravilha
Por que amadianos???
ResponderExcluirAlguém lembra de um homem com problemas mentais, que vivia a equilibrar um pneu com os pés, chutando o mesmo?
ResponderExcluirIsso que vocês fazem é digno de aplausos, relembrar e imortalizar figuras que fizeram parte de uma época onde as pessoas eram as atracoes de nossa cidade,eu tive a oportunidade de conhecer a maoir partes destas figuras pitorescas de salvador
ExcluirSó para lembrar o mágico morava na rua emilio pio no nordeste de amaralina e era chamado carinhosamente de veio enrolão, quantas saudades conheci de perto.
ResponderExcluirDesculpe, mas o nome não era JOVIANO e sim Joviniano Neto.
ResponderExcluir